top of page

Totó Mendes

  • Foto do escritor: Gustavo da Mota
    Gustavo da Mota
  • 29 de mar.
  • 23 min de leitura

Atualizado: 5 de abr.


Uma das primeiras fotos que tenho de Itanhaém, quando vim como turista em 2011, foi junto a um banco onde havia a estátua de um homem ali sentada como se esperasse alguém para a conversa. Lembro que na época eu li a placa que ficava ao lado e vi que se tratava de um prefeito do passado da cidade, chamado Totó Mendes.


A placa no Páteo Totó Mendes (mar 2026)
A placa no Páteo Totó Mendes (mar 2026)

Hoje, 15 anos depois, eu retorno à memória de Totó Mendes para trazer aqui no HISTORITA a pesquisa mais extensa sobre a vida daquele que foi, na minha opinião, o primeiro grande fruto do Gabinete de Leitura Itanhaense.


Antônio Mendes da Silva Junior (Totó Mendes) nasceu em 12 de fevereiro de 1890, na Vila da Conceição de Itanhaém, uma semana antes do Carnaval. Seus pais eram o capitão Antônio Mendes da Silva (em breve por aqui!) e Augusta Elisa Ferreira Mendes. Por agora, basta dizer que o Antônio Mendes pai era músico e professor, além de capitão, e isso seria de muita influência para o Junior.


O jovem prefeito


Sei que talvez o leitor ou leitora gostaria de ter mais informações sobre a infância e a adolescência de Totó, mas há que perdoar: como todas as informações do fim do século XIX e começo do XX, é tudo muito escasso, e por isso não podemos dizer nada a respeito.


Mas sobre o resto, ah, o HISTORITA tem muito a dizer!


Totó Mendes quando prefeito (Correio do Litoral)
Totó Mendes quando prefeito (Correio do Litoral)

Em 15 de janeiro de 1914, quando Totó tinha 23 anos, ele se elegeu vereador através do voto dos homens da Vila. Sim, na época, apenas homens com mais de 21 anos votavam, e ainda havia exceções: se fossem soldados ou sacerdotes, não podiam votar. Era uma época na qual ainda engatinhava o jogo eleitoral: a República Velha.


E não só Totó se elegeu como vereador, mas também foi escolhido entre os vereadores para ser o prefeito. Então, sim, é comprovado que Totó foi prefeito logo em 1914, aos 23 anos. O periódico Correio Paulistano, que trazia notícias e informações oficiais, noticiou no dia 26 de janeiro daquele ano:


Câmara de Itanhaém para 1914. 26 jan 1914 (Correio Paulistano)
Câmara de Itanhaém para 1914. 26 jan 1914 (Correio Paulistano)

O presidente da Câmara ficou sendo João Baptista Leal, que havia sido o prefeito até então, com vice João Pompeu Junior. Totó Mendes foi nomeado prefeito e os vereadores eram Izaías Cândido Soares, Francisco Manuel dos Santos e Emídio de Souza.


Já posso ouvir o leitor ou a leitora dizendo: "Ué, mas a placa perto da estátua diz que Totó Mendes foi eleito prefeito em 1915. Está errado?"


Sim, infelizmente. Há a confirmação acima de que a eleição de 30 de outubro de 1913 culminou na emposse dos vereadores e do prefeito em 15 de janeiro de 1914, quando Totó ainda tinha 23 anos (faria 24 em fevereiro).


Mesmo que considerássemos que a placa sugeriu que ele foi eleito novamente em 1915 (não seria impossível, pois pode ter havido uma mudança no quadro de vereadores que pediria uma nova eleição), ainda assim a placa estaria errada, pois ele teria 24 anos na emposse, e não 25, por ser em janeiro, e seu aniversário só ser em fevereiro.


E por falar em fevereiro, no dia 16, Totó se casou com Hermengarda dos Santos Mendes, com quem teria três filhas: Maria da Conceição Mendes Caruso, Ana Maria Mendes Gonçalves e Therezinha de Jesus Mendes Siqueira.


Totó e a esposa Hermengarda, com a filhinha Conceição. (Acervo dos descendentes - necessário pedir autorização à família para seu uso fora do Historita)
Totó e a esposa Hermengarda, com a filhinha Conceição. (Acervo dos descendentes - necessário pedir autorização à família para seu uso fora do Historita)

Em 21 de maio de 1914, Totó recebeu em Itanhaém a ilustre visita do então prefeito de São Paulo e futuro Presidente da República, Washington Luís, que visitou a cidade pela terceira vez, de carro - no primeiro automóvel a chegar em Itanhaém, segundo a reportagem de Edison Telles de Azevedo na coluna Itanhaém de Outrora, de 1958, do jornal A Tribuna.


Sentados, da esquerda para a direita temos Totó Mendes com Washington Luís ao lado de seu braço esquerdo. 2 nov 1958. (A Tribuna)
Sentados, da esquerda para a direita temos Totó Mendes com Washington Luís ao lado de seu braço esquerdo. 2 nov 1958. (A Tribuna)

Antes de falarmos de 1915, é preciso dizer que Totó Mendes, enquanto cresceu e se formava adulto, teve contato direto com a leitura e a música, além dos jornais. Isso se deve à sua presença frequente no Gabinete de Leitura Itanhaense, onde tinha o acesso aos clássicos da literatura mundial, assistia a peças de teatro ali apresentadas e se inteirava das notícias pelas assinaturas e cessões de periódicos que vinham desde a época da fundação do espaço.


Por tudo isso, Totó Mendes se criou como um jovem adulto bastante culto, que escrevia muito bem, e cuja origem humilde e ligada a um pai professor e músico fez nascer em si o desejo de compartilhar seu conhecimento, tal como um docente.


Então, ele tomou para si a iniciativa de buscar recursos com amigos de Santos, São Vicente e São Paulo, e fundou em 2 de fevereiro de 1915 o primeiro jornal de Itanhaém: o Correio do Litoral, que já foi base de nossas pesquisas aqui no HISTORITA por tantas vezes.


Excerto do Correio do Litoral de 25 de abril de 1915 (Acervo do Gabinete de Leitura "José Rosendo")
Excerto do Correio do Litoral de 25 de abril de 1915 (Acervo do Gabinete de Leitura "José Rosendo")

O Correio do Litoral era lançado duas vezes na semana (por isso é o número 15 do exemplo acima). Segundo o memorialista José Rosendo, o jornal teria sido publicado até 1922, sendo retomado por Ernesto Zwarg só nos anos 1940 - mas isso ficará para um futuro artigo sobre o jornal.


Ao final deste nosso artigo aqui, eu trarei a você mais detalhes sobre a veia literária de Totó Mendes. Por ora, sigamos.


Ainda em 1915, Totó participou como prefeito da inauguração do Centro Beneficente Português de Itanhaém.


Inauguração do Centro Beneficente Português de Itanhaém. 24 fev 1915 (A Notícia)
Inauguração do Centro Beneficente Português de Itanhaém. 24 fev 1915 (A Notícia)

Em 1916, Totó assume cargo na Coletoria Estadual de Itanhaém, junto de João Baptista Leal.


Totó nomeado como escrivão da Coletoria Estadual de Itanhaém, 17 nov 1916 (Correio Paulistano)
Totó nomeado como escrivão da Coletoria Estadual de Itanhaém, 17 nov 1916 (Correio Paulistano)

Em outubro do mesmo ano, Totó Mendes, junto de João Baptista Leal, recebeu em Itanhaém a visita ilustre do Arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, e do Arcebispo de São Paulo, Dom Duarte Leopoldo e Silva, fato que foi relembrado pelo jornalista Edison Telles Azevedo em sua lendária coluna Itanhaém de Outrora, no jornal A Tribuna. Vale a pena ver a transcrição desse trecho, repleto de detalhes interessantes:


"S. Eminência, D. Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcante(sic), Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, primeiro Cardeal do Brasil e de toda a América Latina, prometeu visitar Itanhaém, as ruínas da Aldeia de Abarebebê e o acampamento dos guaranis. Essa notícia auspiciosa fora anunciada aos itanhaenses pelo Reverendíssimo Padre Demétrio Perez, do Imaculado Coração de Maria, na missa conventual celebrada dia 1o. de outubro de 1916. Aguardava-se, ansiosamente, a data definitiva para a concretização de tão desejado e grandioso acontecimento.


Finalmente, na noite do dia 11 do mesmo mês, os srs. João Baptista Leal, fabriqueiro da Matriz de Sant'anna, e Antônio Mendes da Silva Júnior, prefeito municipal, recebiam, pelo telefone da São Paulo Southern Railway Co., longo despacho transmitido por Benedito Calixto, comunicando que no dia imediato (12), às 10 horas, chegariam a Itanhaém S. Emcia. o Cardeal Arcoverde, acompanhado de D. Duarte Leopoldo e Silva, Arcebispo de São Paulo, e outras autoridades.


O povo logo se movimentou, pois o tempo era escasso para o preparo de uma recepção condigna.


CHEGADA EM CARROS ESPECIAIS


Precisamente às 10.30 horas, davam entrada na estação de Itanhaém os dois carros especiais, conduzindo os distintos visitantes, Cardeal Arcoverde, Arcebispo do Rio de Janeiro, D. Duarte Leopoldo e Silva e seu secretário particular, padre Luiz Gonzaga Rizzo; padres Modesto Bestué e Leopoldo Ripa, dr. Pérsio de Souza Queiroz e família, sr. Benedito Calixto de Jesus e família, sr. João Pedro de Jesus e família, sr. João Jaques de Jesus, sr. Ernesto Roso e família e dr. José Solon de Melo e família.


A ilustre comitiva foi recebida na estação pelo prefeito Mendes Junior, João Batista Leal, presidente da Câmara, Simões de Carvalho, vice-presidente, Antônio J. dos Santos, secretário, Francisco Santos, escrivão de paz, outras autoridades e o povo.


As associadas da Irmandade da Conceição, ostentando o respectivo estandarte, bem como os alunos das escolas e os policiais, também compareceram à recepção.


Depois dos cumprimentos, os ilustres prelados caminharam por entre alas constituídas de alunas, envergando uniforme branco, dirigindo-se, em seguida, para a Matriz de Santana. Na porta desse velho templo, o padre Bestué, vigário da paróquia de Vila Matias, ofereceu o hissope ao Cardeal para que sua eminência aspergisse a água benta. Depois da oração de praxe, o Cardeal Arcoverde dirigiu sua palavra ao povo, agradecendo a significativa manifestação lançando a todos a sua bênção. O Convento foi visitado, com especial carinho, tendo sido admiradas as alfaias e outras preciosidades.


No Hotel Toscano foi servido o almoço.


NAS RUÍNAS E NO ACAMPAMENTO


Às 13 horas, a comitiva acompanhada das autoridades itanhaenses, em trem especial, seguiu para Peruíbe, e final de visitar as ruínas da Aldeia de Abarebebê e ao acampamento dos guaranís.


Tanto S. eminência como D. Duarte Leopoldo e Silva detiveram-se examinando o local onde outrora existiu a humilde capela venerada por Anchieta e pelos índios e erguida pelo padre Leonardo Nunes ('o Abarebebê').


No acampamento dos índios guaranís, o Cacique Samuel, à chegada do Cardeal, chamando a atenção da tribo, exclamou: "Nhanderuguassu"! (o maioral dos padres). E todos os guaranis se ajcelharam, indo depois beijar-lhe a mão. Foi uma cena emocionante. O Cardeal distribuiu esmolas e roupas, recebendo, de presentes, vários objetos fabricados pelos guaranis.


VISITA AO PAÇO MUNICIPAL


Antes de deixar Itanhaém, o Cardeal do Rio de Janeiro e o Arcebispo de S. Paulo visitaram o Paço Municipal, onde foram festivamente recebidos. No livro de visitas ficou o seguinte termo assinado pelas duas altas dignidades: 'Passando por este lugar de tão gratas recordações para Nós que fomos um dos Bispos de São Paulo, deixamos para este bom povo e para o Conselho Municipal, em cuja sala fomos recebidos pelos se distintos chefes, nossas congratulações pela conservação das glórias tradições deste lugar e Nossas bençãos. + — Joaquim, Card., Arcebispo do Rio de Janeiro. + — Duarte, Arc. Metrop.'


O regresso dos ilustres prelados deu-se às 18 horas, sob delirantes aclamações do povo.


Essa visita do Cardeal foi obtida graças ao seu atendimento para com Benedito Calixto e D. Duarte Leopoldo e Silva. Justo se faz ressaltar o interesse demonstrado pelo dr. Pedro de Souza Queiroz, conseguindo junto à direção da Southern o trem especial que conduziu os preclaros visitantes."


Já em 1917, Totó recebeu na cidade o empreendedor Joaquim Branco, que formaliza, junto do prefeito, o primeiro projeto de urbanização e turismo de Itanhaém. Como pagamento pelos serviços de Joaquim Branco, a cidade ofereceu-lhe lotes de terra mais ao norte, que pouco tempo depois se tornaria o Suarão.


Foi nessa ocasião da urbanização que Totó Mendes definiu os nomes das ruas do Centro, inspirado pelos nomes que faziam parte da ata de fundação do Gabinete de Leitura Itanhaense. Por isso, temos João Mariano (Soares), Zeferino Soares, Leopoldino Antônio de Araújo e Cunha Moreira, todos próximos à praça da Igreja Matriz, que também foi batizada com um nome da fundação: o coronel Narciso de Andrade. Quem nos trouxe essa informação foi o memorialista José Rosendo.


No dia 15 de dezembro de 1917, surge no Correio Paulistano a seguinte notícia:


"No dia 10 do corrente, os srs. Benedicto Calixto de Jesus e revmo. padre Leopoldo Ripa, vigário da parochia, descobriram, entre os velhos paredões da parte ruinosa do histórico convento de Nossa Senhora da Conceição, o fuste e pedestal do pelourinho de Itanhaém, ereto nesta localidade pela condessa de Vimieiro como símbolo de jurisdição, não só da villa, como "das 100 leguas" de Martim Affonso, segundo nos refere em sua obra inédita "A capitania de Itanhaém" o nosso distinto conterrâneo sr. Benedicto Calixto de Jesus.


Este pelourinho esteve ereto no largo principal da villa, mesmo alguns anos após a Independência, até que o capitão-mór Antonio Gonçalves Neves, syndico do convento e uma das principais autoridades locais, mandou demoli-lo com todo o cuidado, recolhendo todas as peças com seus quatro degraus à parte em ruínas do mesmo convento, facto este só agora conhecido graças às investigações e ao trabalho empregado pelo referido historiador itanhaense.


Às 8 horas do dia 11, reunidos no convento os srs. vigário da parochia, Benedicto Calixto de Jesus, Antonio Mendes da Silva Junior, prefeito municipal e João Pompeu Junior, delegado de polícia, teve-se remoção das peças do pelourinho para o pateo principal do convento, onde o sr. Calixto colocou-as na devida ordem.


A remoção dependeu do esforço pessoal das pessoas referidas e dos srs. João Pedro de Jesus Netto, engenheiro do saneamento de Santos, Affonso Meira Junior, Carlos Augusto Meira Junior e Theodomiro Francisco dos Santos, funcionários da prefeitura; José Mendes de Araújo, Mario Soares, Ozaias dos Santos, commandante do destacamento, Tito Soares, Julio Agostinho dos Santos e Horacio Leal.


A Câmara Municipal e a Irmandade de Nossa Senhora da Conceição vão oferecer ao Museu do Estado as peças do pelourinho de Itanhaém e por intermédio do sr. Benedicto Calixto convidaram o sr. dr. Affonso de E. Taunay, digno diretor daquelle departamento, para vir a esta cidade examinar essa reliquia de arte e historia, que acaba de emergir da obscuridade."


Isso nos comprova que Totó Mendes supervisionou a descoberta do pelourinho da vila por Calixto. Pelourinho este que ainda está no Convento até o momento desta publicação, possivelmente no mesmo local em que Totó, Calixto e João Pompeu Junior, além dos ajudantes todos, o deixaram. Futuramente, o HISTORITA ainda vai trazer mais detalhes sobre esse monumento.


Em 1918, ano em que estava acontecendo uma reforma no Gabinete de Leitura Itanhaense e na Casa de Câmara e Cadeia, Totó precisou tirar licença médica, por moléstia desconhecida, por 20 dias, uma semana após sua visita aos moradores dos então bairros de Itariri, Peruíbe, Ana Dias, Areado e Ubatuba.


Totó Mendes visita os bairros, 04 set 1918 (Diário de Santos)
Totó Mendes visita os bairros, 04 set 1918 (Diário de Santos)

Ainda no mesmo ano, como parte das tentativas de Totó em prover conforto com visões para favorecer o turismo na cidade, a firma Arens & Cia (de Fernando Arens Jr. e Abílio Smith) trouxe um gerador elétrico à Conceição de Itanhaém. Segundo o Correio do Litoral desse ano, foi na noite de 31 de julho de 1918 que a praça Narciso de Andrade foi iluminada pela primeira vez.


Em 1919, há os registros de Totó assinando como escrivão na delegacia chefiada por seu pai, e também o de viagem a São Paulo para reunião do Partido Republicano, ao qual pertencia. A finalidade da reunião era fazer a indicação dos candidatos a deputado federal pelo partido.


Também nesse ano, há o registro de que Totó foi festeiro na Festa do Divino, junto de Ignácia Silveira Pinto.


Totó Mendes como festeiro na Festa do Divino, 09 mai 1919 (Gazeta do Povo)
Totó Mendes como festeiro na Festa do Divino, 09 mai 1919 (Gazeta do Povo)

Em 1920, vemos que Totó foi padrinho em um casamento, o de Maria da Conceição Araújo (neta de Leopoldino Antônio de Araújo) e Joaquim dos Santos Aguiar. Curiosamente, d. Hermengarda não foi madrinha junto de Totó, e talvez logo tenhamos um possível motivo, veja só:


Em 21 de abril de 1921, nasceu sua filha Maria da Conceição.


Nascimento de Maria da Conceição, 29 abr 1921 (Gazeta do Povo)
Nascimento de Maria da Conceição, 29 abr 1921 (Gazeta do Povo)

Como a notícia do casamento é de dezembro de 1920, d. Hermengarda já estava grávida na época do casamento em que Totó foi padrinho. Pode bem ser que não estivesse se sentindo bem por conta da gravidez, e por isso não o acompanhou como madrinha.


Em 1922, segundo o que se encontra no jornal Correio Paulistano, Totó Mendes participou ativamente da celebração do primeiro centenário da Independência do Brasil, quando houve grandes festejos na cidade. Ele está registrado como tendo sido o orador na Câmara em um discurso que abriu a homenagem a D. Pedro I, José Bonifácio e o presidente Epitácio Pessoa.


Primeiro centenário da Independência em Itanhaém, 18 set 1922 (Correio Paulistano)
Primeiro centenário da Independência em Itanhaém, 18 set 1922 (Correio Paulistano)

No mesmo ano, ele ainda fez parte da comissão para a festa de N. Sra. da Conceição e foi reeleito, mais uma vez, vereador - sendo escolhido como prefeito ainda mais uma vez.


Em 1923, Totó foi eleito Presidente do Gabinete de Leitura Itanhaense, além, é claro, de tomar posse como prefeito para aquele ano.


Posse de Totó Mendes como Prefeito e como Presidente do Gabinete de Leitura Itanhaense, 20 jan 1923 (Correio Paulistano)
Posse de Totó Mendes como Prefeito e como Presidente do Gabinete de Leitura Itanhaense, 20 jan 1923 (Correio Paulistano)

Em agosto, surgem três breves notícias que envolvem Antônio Mendes da Silva Júnior. A primeira fala da inauguração de uma balsa que ligava Praia Grande a Peruíbe, e a segunda, a doação pela Prefeitura de um terreno de 8 mil metros quadrados para a construção da Santa Casa de Misericórdia de Itanhaém. Por último, a celebração dos 35 anos do Gabinete de Leitura Itanhaense, com grande festa. As três foram publicadas no Correio Paulistano de 7 de agosto de 1923.


Adeus Prefeitura, olá Sociedade Civil


Em 1924, Totó Mendes e mais dois vereadores (João Pompeu Junior e Oswaldo da Costa Meira) renunciaram aos seus cargos em 9 de maio, pouco tempo após assumirem a Câmara em janeiro. Segundo o memorialista José Rosendo, Totó Mendes deixou a Prefeitura por ver frustrados seus projetos devido ao jogo político. Sinto que este ponto merece mais detalhamento, mas não encontrei essas informações em minha pesquisa.


De todo modo, a partir desse ponto, Totó Mendes seguiria trabalhando como escrivão de paz, e levaria essa carreira por muitos anos, como veremos. Abandonou por um tempo a política, mas manteve-se membro do Diretório Político do partido.


Em 30 de abril de 1927, temos a notícia do nascimento de Therezinha no dia 20; mais uma filha de Totó e Hermengarda.


Nascimento de Therezinha, 30 abr 1927 (Gazeta do Povo)
Nascimento de Therezinha, 30 abr 1927 (Gazeta do Povo)

Se por um lado houve um nascimento, por outro, um falecimento: nesse ano de 1927, faleceu o Capitão Antônio Mendes, pai de Totó.


Em 1928, um grupo de escoteiros acampou em Itanhaém e homenageou a Prefeitura e Totó Mendes. Veja:

Escotismo em Itanhaém, 03 jul 1928 (Correio Paulistano)
Escotismo em Itanhaém, 03 jul 1928 (Correio Paulistano)

Em 1929, Totó foi novamente festeiro da Festa do Divino, desta vez com a sra. Josephina Bernardes de Andrade.


Em 1930, com a paralisação das obras da Igreja Matriz devido à falta de verbas pela diocese, uma comissão buscou angariar donativos para tocar a reforma. Totó encabeçou a comissão. Veja:

Donativos para a continuidade das obras, 08 mai 1930 (Correio Paulistano)
Donativos para a continuidade das obras, 08 mai 1930 (Correio Paulistano)

Ainda em 1930, Totó foi reconhecido como presidente do Partido Republicano Paulista em Itanhaém.


Ecos, 11 set 1930 (A Tribuna)
Ecos, 11 set 1930 (A Tribuna)

Em 1931, A Gazeta de São Paulo publicou uma nota sobre uma possível tentativa de difamação sofrida pelo então prefeito de Itanhaém, Octacílio Dantas. O autor da nota menciona que os agentes dessas "fake news" do passado seriam Totó Mendes e Dermeval Pereira Leite. Confira a fofoca abaixo (lembre-se: você sempre pode ampliar as imagens, principalmente se estiver no celular).


Será exxonerado o Prefeito de Itanhaém?, 29 set 1931 (A Gazeta)
Será exxonerado o Prefeito de Itanhaém?, 29 set 1931 (A Gazeta)

No mesmo ano, Totó Mendes esteve presente no enterro de João Baptista Leal, por quem o HISTORITA imagina que Totó nutria um grande carinho, a considerar pelo tempo em que trabalharam juntos na Coletoria, além de serem colegas de partido.


Em 1932, Totó foi homenageado na celebração da Independência. Confira:


A data da Independência em Itanhaém, 10 set 1932 (A Tribuna)
A data da Independência em Itanhaém, 10 set 1932 (A Tribuna)

Em 1934, temos uma notícia interessante. Até agora, o HISTORITA não havia se deparado com o nome Clube Itanhaense. Será que você, leitor ou leitora, teria informações sobre o tal Clube? Eu tenho uma hipótese, que logo vou mencionar. Totó Mendes foi eleito Conselheiro do Clube nesse ano:


Clube Itanhaense, 14 jan 1934 (A Tribuna)
Clube Itanhaense, 14 jan 1934 (A Tribuna)

Em 1935, Totó foi a São Paulo para o enterro do então prefeito de Itanhaém, Dermeval Pereira Leite.


Morre Dermeval Pereira Leite, 29 set 1935 (A Tribuna)
Morre Dermeval Pereira Leite, 29 set 1935 (A Tribuna)

Em 1936, surge novamente o Clube Itanhaense, junto de uma pista. A notícia diz que o Clube foi fundado em 1888. Ora, seria então o Clube Itanhaense nada mais, nada menos que o Gabinete de Leitura Itanhaense?


Totó segue como conselheiro do Clube, 16 jan 1936 (A Tribuna)
Totó segue como conselheiro do Clube, 16 jan 1936 (A Tribuna)

Ainda no mesmo ano, Totó esteve no enterro de Antonio Farah, em Itanhaém.


Em 1937, o nome de Totó Mendes surge atrelado ao Partido Constitucionalista, como se vê:


Totó no PC, 5 abr 1937 (Correio de S. Paulo)
Totó no PC, 5 abr 1937 (Correio de S. Paulo)

No final de julho de 1939, Totó Mendes recebeu na estação de trem de Itanhaém a excursão da Sociedade Consular de Santos.


Totó recebe a SCS, 01 ago 1939 (A Tribuna)
Totó recebe a SCS, 01 ago 1939 (A Tribuna)
Fotos da excursão da Sociedade Consular de Santos a Itanhaém, 01 ago 1939 (A Tribuna)
Fotos da excursão da Sociedade Consular de Santos a Itanhaém, 01 ago 1939 (A Tribuna)

Ainda em 1939, Totó participou da comissão da Festa de São Benedito, em Itanhaém.


O Mestre Sacro, Totó Mendes


A partir de 1940, fica mais forte a presença e atividade de Totó Mendes em eventos sacros, liderando a orquestra e o coro que ele regia e ensinava em sua Schola Cantorum, seu curso de música.


São muitos os registros encontrados nos jornais sobre as festas não só de Itanhaém, mas também de Iguape, onde Totó se apresentava com seus músicos. Para poupar o leitor de verificar dados repetidos, basta saber que Totó Mendes era presença certa em todas as festas religiosas: do Divino, da Conceição, de São Benedito, e mesmo em ocasiões como nas cerimônias religiosas em prol da restauração do Convento de N. Sra. da Conceição de Itanhaém (de 1948).


Totó Mendes regendo a orquestra e o coral (fotografia enviada por João Tadeu Bastos da Silva ao HISTORITA)
Totó Mendes regendo a orquestra e o coral (fotografia enviada por João Tadeu Bastos da Silva ao HISTORITA)

Sobre a foto acima, nosso exímio colaborador João Tadeu diz o seguinte:


"Quem enviou pra mim há muito tempo foi a Iara Rosendo. Deve ser dos anos 40.

Repare que, além dos cantores, temos uma pequena orquestra. Esse costume de trazer orquestra para tocar com o coral só acontecia em festividades solenes: festa do Divino ou da Padroeira Imaculada Conceição. Lembrando que a festa do Divino era realizada na Matriz de Sant' Anna, enquanto a de Nossa Senhora era realizada no Convento.

Infelizmente não dá pra definir o local."


A propósito, quando se trata de música sacra, Totó Mendes fez história. José Rosendo nos diz sobre Totó em sua coluna do jornal Correio do Litoral (2000):


"Estudioso e disciplinado, aprendeu com facilidade Composição e Regência. Formou um quarteto de cordas (dois violinos, violoncelo e contrabaixo) que dava concertos no salão do Gabinete de Leitura Itanhaense, executando obras clássicas de renomados compositores. Com toda essa influência aventurou-se no campo da composição, com enorme sucesso, pois foi autor de apreciadas obras sacras (Missas, Ave-Marias, Ladainhas, Jaculatórias, etc.). Por ocasião da Festa da Padroeira (8 de dezembro) e do Divino Espírito Santo, as mais tradicionais festas religiosas de Itanhaém, convida músicos renomados de São Vicente, Santos e da Capital, seus admiradores, para compor o conjunto, do mandado de Nossa Senhora da Conceição, sob sua regência, para as novenas e setenários no coro da Igreja Matriz e do Convento. As missas solenes, ao som dos instrumentos musicais e do coral era um espetáculo de puro êxtase!


(...)


Totó Mendes, apesar de sua competência como músico e compositor, não dispensava os conselhos e pareceres de conhecidos mestres, entre eles o renomado Profº Luiz Gomes Cruz, da cidade de Santos, um dos músicos mais expressivos da época. Em 1938, Totó Mendes compôs uma missa e a encaminhou ao Maestro Gomes Cruz, para apreciação e instrumentação. Em resposta, o músico enviou-lhe a seguinte carta:


'Santos, 12 de abril de 1938. Ilmo Sr. Antonio Mendes. Conceição de Itanhaém. Cordiais saudações. Estudei suficientemente a Missa que o sr. me entregou e posso assegurar-lhe que é ótima. Possui trechos magníficos e de grande efeito vocal. Quanto à instrumentação, a não ser em algumas passagens, não vejo necessidade de alterar a harmonização da mesma, visto ser um trabalho perfeito e que dificilmente poderia ser modificado para melhor. Devo, pois, instrumentá-la baseando-me quase que exclusivamente na sua própria harmonização que, conforme já disse, está muito bem trabalhada. (...)"


Em nossa pesquisa, o HISTORITA percebeu que há certa indefinição quanto às criações sacras de Totó Mendes, em especial ao que diz respeito às jaculatórias. Descobrimos também que há pesquisas científicas em andamento sobre o tema, pelas quais já aguardamos com afinco!


O escritor Totó Mendes


Totó Mendes fala sobre possível cassação do título de eleitor de Harry Forsell, em 1949 (Correio do Litoral)
Totó Mendes fala sobre possível cassação do título de eleitor de Harry Forsell, em 1949 (Correio do Litoral)

Antes de irmos aos finalmentes de nosso artigo, cabe a mim cumprir a promessa de falar de Totó Mendes enquanto escritor. Afinal, ele é até mesmo patrono da cadeira de número 1 da Academia Itanhaense de Letras, ocupada pelo querido Djalma Marquesani atualmente, então dá para pressupor que ele teve uma importância considerável para a literatura de Itanhaém.


E teve mesmo! Totó não escreveu livros, mas foi o principal responsável pela criação, edição e execução do primeiro jornal de Itanhaém, o Correio do Litoral, como já falamos antes. Ele mesmo estimulava outros itanhaenses a participarem do jornal com escritos, informações e causos, e revisava cada artigo que chegava às folhas de papel.


Por muitas vezes, ele próprio tomava a pena e deixava a criatividade fluir, sob pseudônimos (afinal, era uma figura política, e talvez a maior da cidade na época!). Os pseudônimos conhecidos são Menju, Parapeguava e o mais famoso: João da Praia.


Leia agora um pequeno conto assinado por João da Praia e publicado em 19 de setembro de 1939, Vieste Tarde, transcrito verbatim:


Vieste Tarde


O cenário era esplendido naquela manhã festiva, em que a luz solar, enviada de um céu jamais tão limpo, reverberava em cheio sobre os penhascos abruptos do Poço de Anchieta, e iluminava garridamente a ferradura que ali descreve a linda Praia de Peruíbe. Todo esse fulgor intenso não comovia o famoso "João Tabaco", morador no bairro dos Prados, que rumava para o sítio, castigado pelos efeitos da "camoeca" que o agarrara na véspera. Maldizia a noitada fria sofrida no cubículo da imunda prisão da Vila, de onde o despediram ao raiar do dia, depois do clássico e virulento "sermão" de "Nhô" Leopoldino, "venerando" sub-Delegado de Polícia.


"João Tabaco" ia danado da vida. Eta "reiva"! E mais raivento ainda por ter que palmilhar cinco léguas, sem café nem fumo para encher o pito, pois, apavorado com as ameaças de "Nhô" Leopoldino, deixara a Vila "na toda", sem coragem de esperar que abrisse a venda do Tio João, o homem do fumo born de rolo!


Assim, a matinada estridente das gaivotas, que passavam em revoada, causava-lhe assomos de verdadeira cólera: "vão prós diabos suas matracas"!


Súbito, estacou. Lá ao longe, muito longe, a faixa creme da imensa praia enche-se de pontinhos escuros. Ao centro, um vulto maior, também escuro. Praiano velho, sabido, "João Tabaco" traduziu aquilo tudo: "Lá vinha alguém, de "pés-juntos", para o cemitério da Vila. "Quem teria morrido? Alguns parente? Então encheu-se de vergonha.


Aquele mundão de gente: parentes, amigos, vizinhos, iam todos saber, dali à pouco, de tudo o que na véspera se passara com ele: cachaçada, prisão, "sermão" de "Nhô" Leopoldino e tudo mais... Santo Deus, que vergonha... Estava já a apostar que o seu caso iria servir prá "sotaque" entre a rapaziada, de motivo para algum "pasquim" ou ainda, para o "Sebastião Batata" tirar mais uma modinha de fandango... Ah!, se arrependimento matasse... Também, jurava por Deus, nunca mais beberia cachaça, nem um pingão de pinga!


Momentos depois "João Tabaco" estava à fala com os primeiros praianos que se haviam adiantado do enorme cortejo, indagando sôfrego: "quem era o morto, quem era o da carroça?


-"Ora, o Chico Rosa, coitado; quem diria que ali vinha o bom velho, já sem vida, praiano tão bom, chefe de família dos mais corretos, tão estimado que era, Pobre Chico! E "Siá" Firmina, como não estaria inconsolável por ter perdido para sempre o companheiro de quase cinquenta anos... Coitada...!


"Pouco a pouco a praianada foi passando, passando..., toda a gente boa dos Prados, e mais bairros próximos, amigos que vinham acompanhar até a "Chácara do Tio Ângelo" o corpo inanimado do velho Chico Rosas. Quanta mágua se traduzia no semblante daqueles humildes "parapeguavas"!


No derradeiro grupo, atrás da carroça mortuária, vinha "Sinhá" Firmina. Seus olhos inchados bem diziam do quanto havia chorado aquela criatura a perda do companheiro querido. As pontas de seu chale de riscado, que de quando em quando enxugavam lágrimas e mais lágrimas tão sinceras, tão sentidas, estavam endurecidas até, de tão ensopadas. Aquilo é que era sentimento...!


"João Tabaco" defrontou a vizinha. Olharam-se... Ele, triste como praiano em "dia de mar grosso"... Ela, debulhada em pranto. Ficaram os dois.


"Santa paciência, "Sinha" Firmina. A terra nos cria a terra nos come; tudo vem de Deus e tudo que Deus faz dizem que é bom... "Mecê" se console que o finado Chico foi pro céu..."


O colóquio durou uns minutos. Carroça e praianos se distanciavam. "Sinha" Firmina já ia caminhar, quando "João Tabaco", trêmulo, receoso, aventurou:


-"Sinhá" Firmina, "Mecê" ficou viúva, eu viuvo sou...


"Mecê" me desculpe a ousadia, mas... depois que passasse mais um tempinho, prá não dá o que falá, se "mecê" quisesse... a gente poderia passá a vivê junto...


"Sinhá" Firmina, que ouvira cabissa baixa e já se dispunha a alcançar o "coche" esfregou ainda mais uma vez a ponta de seu chale de riscado nos olhinhos tumefatos e, depois de jogá-lo no ombro, fitou o vizinho e, tristemente, respondeu:


-"Olha, João, vós vistes tarde; vossa proposta é a terceira que recebo de onte prá cá. "Entonce" decidi me ajuntá com compadre Honório..."


E foi andando.


O legado de Totó Mendes


Totó Mendes desenhado pelo jornalista Edison Telles Azevedo.
Totó Mendes desenhado pelo jornalista Edison Telles Azevedo.

Totó Mendes faleceria em 1951, no dia 08 de abril, com apenas 61 anos. Morreu de embolia pulmonar no antigo Sanatório Santa Catarina, em São Paulo.


Deixou viúva d. Hermengarda, que faleceria apenas em 1975. A família sob o casal foi e é bastante numerosa. Filhas, foram três: Maria da Conceição, Ana Maria e Therezinha de Jesus.


A informação sobre netos e bisnetos veio direto de uma bisneta dele, Izabella, e eu transcrevo:


"Os filhos de Regina Aparecida (filha de Conceição) são Flavio, Rogerio, Daniela e Izabella

Os de Angela Maria (filha de Conceição), são Renata, Marina e Gabriel

Os de Tadeu (filho de Conceição) são Laís e Mariana

A de Álvaro Caruso (filho de Conceição) é Marion

As de Isabel (filha de Ana Maria) são Paula, Roberta e Bárbara

As de Lourdes (filha de Terezinha) são Gabriela e Carolina

A de Monica (filha de Terezinha) é Mariana

Os de Antonio Paulo (filho de Terezinha) são Rodrigo, Renato e Letícia"


Que alegria é para o HISTORITA saber que membros da família veem esta pesquisa humilde, mas feita com carinho! Estamos à disposição.


A propósito, deixo aqui mais algumas imagens enviadas por Marion, bisneta de Totó, como consta da lista acima:


Totó Mendes, provavelmente entre 1940 e 1950 (Acervo dos descendentes - necessário pedir autorização à família para seu uso fora do Historita)
Totó Mendes, provavelmente entre 1940 e 1950 (Acervo dos descendentes - necessário pedir autorização à família para seu uso fora do Historita)
D. Hermengarda, já com mais idade (possivelmente à mesma época da foto anterior). (Acervo dos descendentes - necessário pedir autorização à família para seu uso fora do Historita)
D. Hermengarda, já com mais idade (possivelmente à mesma época da foto anterior). (Acervo dos descendentes - necessário pedir autorização à família para seu uso fora do Historita)
A filha Conceição, jovem (possivelmente anos 1930). (Acervo dos descendentes - necessário pedir autorização à família para seu uso fora do Historita)
A filha Conceição, jovem (possivelmente anos 1930). (Acervo dos descendentes - necessário pedir autorização à família para seu uso fora do Historita)
Conceição, já na segunda metade do século XX. (Acervo dos descendentes - necessário pedir autorização à família para seu uso fora do Historita)
Conceição, já na segunda metade do século XX. (Acervo dos descendentes - necessário pedir autorização à família para seu uso fora do Historita)
As outras filhas de Totó: Therezinha (esq.) e Ana Maria. (Acervo dos descendentes - necessário pedir autorização à família para seu uso fora do Historita)
As outras filhas de Totó: Therezinha (esq.) e Ana Maria. (Acervo dos descendentes - necessário pedir autorização à família para seu uso fora do Historita)

Bem, é possível encerrarmos aqui nossa viagem pela Itanhaém do começo do século XX com a seguinte conclusão: falar de Totó Mendes é falar da própria modernização de Itanhaém. Totó foi um político influente e governante; um autodidata e entusiasta da cultura que entendeu, antes de muitos, que uma cidade pode até se construir com infraestrutura (como a luz elétrica e o urbanismo), mas só se imortaliza através da memória e das artes.


Seu legado pode ser resumido em três pilares fundamentais que ainda sustentam a alma itanhaense:


A identidade urbana: ao nomear as ruas do Centro com os nomes dos fundadores do Gabinete de Leitura, Totó transformou o mapa da cidade em um livro de história a céu aberto. Cada esquina que dobramos hoje carrega a chancela de sua reverência ao passado.


A voz do povo e ao povo: ao fundar o Correio do Litoral, ele deu a Itanhaém sua primeira imprensa oficial, tirando a Vila do isolamento informativo e criando um espaço onde o "ser itanhaense" podia ser discutido e celebrado.


A harmonia sacra: suas composições e a regência da Schola Cantorum elevaram o patamar das festas tradicionais. Até hoje, o espírito de suas partituras é parte da base mística da Festa do Divino e da Padroeira, mantendo viva uma tradição musical que une o erudito ao popular.


Totó Mendes, assim como Isaías Cândido Soares, foi um grande exemplo do que o acesso à leitura e à cultura pode fazer por um cidadão. Ele entrou no Gabinete de Leitura Itanhaense como um jovem curioso e saiu de lá como o líder que preparou Itanhaém para o futuro.


Hoje, quando passamos pela sua estátua ou pela placa que, embora com datas imprecisas, honra sua memória, devemos enxergar o homem que Totó foi além do ex-prefeito: foi o "João da Praia", o músico dedicado e o visionário que, entre um despacho e uma partitura, ajudou a desenhar o rosto da nossa cidade tão querida.


O HISTORITA deseja que sua história continue a inspirar novos frutos do Gabinete de Leitura (hoje "José Rosendo"), mantendo acesa a chama da curiosidade e do amor por esta terra de Anchieta, de Calixto e, eternamente, de Totó Mendes.


A estátua no Páteo Totó Mendes, que fica na praça Narciso de Andrade, no Centro de Itanhaém. (Acervo do autor, mar 2026)
A estátua no Páteo Totó Mendes, que fica na praça Narciso de Andrade, no Centro de Itanhaém. (Acervo do autor, mar 2026)

Pesquisa por:

MOTA, Gustavo Caperutto da.


Agradecimentos:

João Tadeu Bastos da Silva

Maria Tereza Leal Diz

Izabella Farah

Marion Caruso

Toda a família e descendentes de Totó Mendes


Fontes utilizadas:

A GAZETA. Será exonerado o Prefeito de Itanhaém? São Paulo, 29 set. 1931.

A NOTÍCIA. Inauguração do Centro Beneficente Português de Itanhaém. 24 fev. 1915.

A TRIBUNA. A data da Independência em Itanhaém. Santos, 10 set. 1932.

A TRIBUNA. Clube Itanhaense. Santos, 14 jan. 1934.

A TRIBUNA. Ecos. Santos, 11 set. 1930.

A TRIBUNA. Escotismo em Itanhaém. Santos, 1 ago. 1939.

A TRIBUNA. Morre Dermeval Pereira Leite. Santos, 29 set. 1935.

AZEVEDO, Edison Telles de. Itanhaém de Outrora. A Tribuna, Santos, 2 nov. 1958.

CORREIO DE S. PAULO. Totó Mendes no Partido Constitucionalista. 5 abr. 1937.

CORREIO DO LITORAL. Edição de 25 abr. 1915. Itanhaém: Gabinete de Leitura “José Rosendo”.

CORREIO DO LITORAL. Diversas edições entre 1915 e 1949. Itanhaém: Gabinete de Leitura “José Rosendo”.

CORREIO PAULISTANO. Câmara de Itanhaém para 1914. São Paulo, 26 jan. 1914.

CORREIO PAULISTANO. Nomeação de escrivão da Coletoria Estadual. São Paulo, 17 nov. 1916.

CORREIO PAULISTANO. Primeiro centenário da Independência em Itanhaém. São Paulo, 18 set. 1922.

CORREIO PAULISTANO. Posse municipal em Itanhaém. São Paulo, 20 jan. 1923.

CORREIO PAULISTANO. Noticiário sobre o pelourinho de Itanhaém. São Paulo, 15 dez. 1917.

DIÁRIO DE SANTOS. Totó Mendes visita os bairros. Santos, 4 set. 1918.

GAZETA DO POVO. Festa do Divino em Itanhaém. 9 maio 1919.

GAZETA DO POVO. Nascimento de Maria da Conceição Mendes. 29 abr. 1921.

GAZETA DO POVO. Nascimento de Therezinha Mendes. 30 abr. 1927.

ROSENDO, José. Coluna histórica publicada no Correio do Litoral. Itanhaém, 2000.

SILVA, João Tadeu Bastos da. Informação verbal e acervo iconográfico cedido ao HISTORITA, 2026.

1 comentário


Djalma Marquesani
Djalma Marquesani
30 de mar.

Excelente matéria! Seu empenho em manter viva a memória histórica e cultural da cidade, nos enche de orgulho!

Curtir

 

© 2026 HISTORITA — História de Itanhaém 

por Gustavo C. da Mota

 

bottom of page