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Prof.ª Maria Graciette Dias

Foto do escritor: Gustavo da Mota
Gustavo da Mota
7 de mar.
9 min de leitura

Atualizado: 10 de mar.


O HISTORITA já está cheio de homens! Quero, a partir de agora, trazer mais luz às almas femininas de Itanhaém. Depois de Spasia Albertina Bechelli Cecchi, vamos agora falar da professora Maria Graciette Dias, uma das patronesses da educação municipal da cidade.


Encontrar informações históricas sobre as mulheres geralmente é uma tarefa mais difícil do que sobre os homens, porque o espaço reservado a elas na história após a imprensa em massa e a fotografia foi quase sempre o de adorno para embelezar os jornais. É comum que encontremos, nos jornais do século XX, fotografias de mulheres cujos nomes muitas vezes nem eram mencionados, mas as formas de seus corpos e seus biquínis eram.


Mas, a essa altura do campeonato, você já sabe que o HISTORITA é teimoso e vai buscar informações nos confins para dar o merecimento justo às mulheres que moldaram Itanhaém e o litoral em seus múltiplos papéis sociais e humanos. É o mínimo que se deve fazer, e fazemo-lo com gosto!


Dito isto, vamos à história de Maria Graciette Dias!


A srta. Maria Graciette Dantas


Maria Graciette Riado Dantas (nome de solteira) nasceu em 30 de novembro de 1928, em Uchoa-SP, filha de Amaury de Freitas Dantas e Maria Encarnação (Nena) Riado Dantas. Sua irmã mais velha se chamava Geysa.


Sua filha Ana Lúcia contribui com o HISTORITA trazendo-nos a seguinte informação:


"Maria Graciette perdeu a mãe aos 2 anos de idade e seu pai casou-se novamente, sendo criada por uma madrasta bem severa. Desse segundo casamento de seu pai, teve a irmã Hero.


Cresceu em São José do Rio Preto e cursou o Magistério na cidade de Mirassol, graduando-se como professora primária. Ela faria, muitos anos depois, a faculdade de Letras também, para atuar como professora de Português para o antigo Ginásio.


Quando se formou, Maria Graciette mudou-se para Santos, no litoral do estado, e foi morar com sua tia Maria. Seu primeiro emprego como professora primária foi em uma fazenda de imigrantes japoneses Taquaruçu, em Registro, no Vale do Ribeira (SP)."


Excelentes dados, Ana Lúcia! Obrigado!


O ano de início de sua carreira como professora teve início provavelmente entre 1946 e 1948, a julgar pela idade com que poderia ter começado a trabalhar. O certo é que em 1949, aos 21 anos, ela era professora do Grupo Escolar Barnabé, na Praça Correa de Melo, em Santos - e que hoje tem o nome de Escola Barnabé.


Isso pode ser aferido pela matéria publicada no jornal O DIÁRIO, de 11 de junho de 1949, onde o Grupo Escolar Barnabé se posicionou a favor de uma campanha pró-segurança no trânsito para as crianças, iniciada pelo mesmo jornal.


Maria Graciette Dantas/Dias, 11 jun 1949 (O Diário)
Maria Graciette Dantas/Dias, 11 jun 1949 (O Diário)

Eis o que Maria Graciette disse ao jornal:


Maria Graciette, aos 21 anos, esclarecidíssima. 11 jun 1949 (O DIÁRIO)
Maria Graciette, aos 21 anos, esclarecidíssima. 11 jun 1949 (O DIÁRIO)

É de impressionar, o vocabulário dela, tão jovem, mas já com a postura de uma professora a ser respeitada, dando voz às necessidades da sociedade e, especialmente, das crianças de sua escola.


Após esse primeiro registro, surge o nome (e a foto que usamos e editamos) de Maria Graciette Dantas no jornal Correio do Litoral de novembro de 1952, confirmando que ela já estava morando em Itanhaém, dando aulas no então bairro de Peruíbe.


Aniversário de Maria Graciette, nov 1952 (Correio do Litoral)
Aniversário de Maria Graciette, nov 1952 (Correio do Litoral)

Segundo sua filha Ana Lúcia, Maria Graciette conheceu seu futuro marido, Miguel Simões Dias em Peruíbe, na pensão da tia Madalena (de quem Miguel era sobrinho), onde se hospedava por conta de seu trabalho em Registro.


A senhora Maria Graciette Dias


Maria Graciette casou-se em 1952 com esse jovem político em ascensão, conhecido como Miguelzinho (Miguel Simões Dias), e fixaram residência em Itanhaém.


A respeito disso, Suely Neves Marques contribui com a seguinte informação:


"Lembrei que Graciette e Miguelzinho foram nossos vizinhos, por um tempo curto, morando ao lado de nossa casa, onde funcionava o cinema de meu pai. A casa era habitada por Malaquias, que alugava o quarto da frente para o casal. Creio que teria sido provisório, enquanto aguardavam a residência definitiva."


Obrigado, Suely! Registros como o seu ajudam a tecer a colcha de retalhos da memória de Itanhaém. O cinema referido era o Cine Anchieta, que ficava onde fica hoje uma clínica dentária na praça Narciso de Andrade.


Eis aqui duas fotos do casamento de Maria Graciette com Miguelzinho:


Casamento de Miguel e d. Graciette, 1952. (Acervo de João Tadeu Bastos da Silva)
Casamento de Miguel e d. Graciette, 1952. (Acervo de João Tadeu Bastos da Silva)

Do casamento de Maria Graciette com Miguel nasceriam seis filhos. Márcia Maria foi a filha mais velha, seguida então pelo Miguel Júnior da notícia, Ana Lúcia, Vera Helena, Maria Conceição e Luiz Roberto.


"D. Graciette com a Márcia e minha mãe comigo [João Tadeu] em frente a casa da Carlos Botelho." (Acervo de João Tadeu Bastos Silva)
"D. Graciette com a Márcia e minha mãe comigo [João Tadeu] em frente a casa da Carlos Botelho." (Acervo de João Tadeu Bastos Silva)

Em 1955, temos relatado no jornal A Tribuna o nascimento de seu filho, Miguel, ocorrido no dia 12 de abril daquele ano:


Nascimento de Miguel Simões Dias Junior. 17 abr 1955 (A Tribuna)
Nascimento de Miguel Simões Dias Junior. 17 abr 1955 (A Tribuna)

Em 1956, Maria Graciette participou de uma grande homenagem ao professor Luís Damasco Penna, em Santos, no Grand Hotel Martini.


Em 23 de maio de 1958, após uma homenagem feita à então diretora do Grupo Escolar Benedicto Calixto, d. Eugênia Pitta Rangel Veloso (falaremos dela em breve!), que entrou em período de licença, Maria Graciette Dias assumiu o cargo de diretora em seu lugar. É incerto por quanto tempo ela esteve nesse posto, mas é possível dizer que ela já fazia parte do quadro de professores da escola na época, e assim seria por muitos anos. Não temos a informação de quando ela trabalhou no antigo CENE (hoje E.E. Jon Teodoresco), mas é um fato certo também.


Maria Graciette Dias como diretora do Grupo Escolar Benedicto Calixto, 4 jun 1958 (A Tribuna)
Maria Graciette Dias como diretora do Grupo Escolar Benedicto Calixto, 4 jun 1958 (A Tribuna)

Em 1964, os Dias foram festeiros da Festa do Divino:


"Festa do Divino 1964. Quando D. Graciette e Miguel foram festeiros. Márcia, a filha mais velha, foi imperatriz e eu imperador." (Acervo de João Tadeu Bastos Silva)
"Festa do Divino 1964. Quando D. Graciette e Miguel foram festeiros. Márcia, a filha mais velha, foi imperatriz e eu imperador." (Acervo de João Tadeu Bastos Silva)

Festa do Divino 1964, D. Graciette ao lado do marido com a cunhada D. Nair. (Acervo de João Tadeu Bastos Silva)
Festa do Divino 1964, D. Graciette ao lado do marido com a cunhada D. Nair. (Acervo de João Tadeu Bastos Silva)

Quatro anos depois, em 1968, encontramos uma notícia sobre sua convocação a participar do Tribunal do Júri Popular de Itanhaém. É uma curiosidade pequena, mas serve para confirmar que ela estava ainda morando na cidade. O registro é mais um do jornal A Tribuna.


Em 1979, 11 anos depois, o nome de Maria Graciette Dias surgiria no curiosíssimo concurso Professora do Ano, reportado na Tribuna, no qual ela ficaria em segundo lugar nos votos (com 825 votos!), comprovando que tinha bastante carinho dos alunos e seus responsáveis. O primeiro lugar ficou para a também professora da E.E. Calixto, Maria Auxiliadora F. Aranha.


E os relatos sobre a vocação de Graciette são muitos. Aqui está o relato do colaborador e fã do HISTORITA, Ricardo Florestal, que foi seu aluno:


"Eu, Ricardo, fui aluno do 1º grau na Escola Benedito Calixto na década de 1970, e guardo com muito carinho as lembranças daquele período tão importante da minha vida escolar. Entre todos os professores que passaram por minha formação, a professora Graciette ocupa um lugar muito especial em minha memória.


A professora Graciette sempre se destacou pela dedicação, respeito e pelo carinho com que tratava todos os seus alunos. Mais do que ensinar as matérias da escola, ela nos ensinava valores que levamos para a vida inteira, como educação, responsabilidade, amizade e respeito ao próximo.


Seu jeito calmo, paciente e atencioso fazia com que todos nós nos sentíssemos acolhidos dentro da sala de aula. Ela tinha uma forma muito especial de ensinar, sempre incentivando cada aluno a acreditar em seu próprio potencial. Mesmo quando algum de nós tinha dificuldades, ela nunca desistia de ajudar e sempre encontrava uma maneira de explicar novamente, com muita paciência e carinho.


Eu, que tive o privilégio de ter sido aluno da professora Graciette, digo que ela não era apenas uma educadora, mas também uma pessoa que se preocupava verdadeiramente com o nosso crescimento, tanto como estudantes quanto como cidadãos.


Hoje, ao lembrar daqueles anos na Escola Benedito Calixto, sinto uma enorme saudade e gratidão por ter tido a oportunidade de aprender com uma professora tão dedicada, humana e inspiradora. Sem dúvida, ela marcou positivamente a vida de muitos alunos, assim como marcou a minha."


A sala de aula da professora Graciette, nos anos 1970. (Acervo de Ricardo Florestal)
A sala de aula da professora Graciette, nos anos 1970. (Acervo de Ricardo Florestal)

Miguelzinho e a professora Graciette, provavelmente nos anos 1970 (Acervo da família)
Miguelzinho e a professora Graciette, provavelmente nos anos 1970 (Acervo da família)
Maria Graciette, provavelmente nos anos 1970-80. (Acervo da família)
Maria Graciette, provavelmente nos anos 1970-80. (Acervo da família)
Casa de Graciette, Miguel e família. No local, hoje está a Loja Mel, ao lado das Pernambucanas no Centro de Itanhaém. Foto possivelmente da década de 1970 (Acervo de João Tadeu Bastos Silva)
Casa de Graciette, Miguel e família. No local, hoje está a Loja Mel, ao lado das Pernambucanas no Centro de Itanhaém. Foto possivelmente da década de 1970 (Acervo de João Tadeu Bastos Silva)

Em 1980, também na Tribuna, há o registro do casamento de sua filha Ana Lúcia na Igreja Matriz e da festa que foi dada no Iate Clube, onde o casal Dias recepcionou os convidados.


A professora Graciette, provavelmente já nos começo dos anos 1990 (Acervo da família)
A professora Graciette, provavelmente já nos começo dos anos 1990 (Acervo da família)

Por fim, em 2002, no dia 2 de agosto, temos o registro do falecimento da estimada professora aos 73 anos, em Santos, provavelmente na Santa Casa de Misericórdia. No jornal A Tribuna, vem o anúncio de sua missa de sétimo dia, e junto, uma fotografia de Maria Graciette na terceira idade.


Professora Maria Graciette Dias, 06 ago 2002 (A Tribuna)
Professora Maria Graciette Dias, 06 ago 2002 (A Tribuna)

E.M. Maria Graciette Dias


Em 2009, quando dos festejos do aniversário de Itanhaém, a professora Maria Graciette Dias seria homenageada com seu nome dado a uma nova escola no bairro do Belas Artes. A escola segue ainda hoje, zelando pela educação das crianças como Maria Graciette zelou enquanto viva. Ela, que, segundo sua filha Ana Lúcia, costumava dizer com orgulho que a maior e única herança que seu pai lhe deixara era o seu diploma de Magistério, hoje certamente inspira o magistério de tantas outras professoras da cidade.


E.M. Maria Graciette Dias, set 2025 (Google Maps)
E.M. Maria Graciette Dias, set 2025 (Google Maps)

Posso dizer que tenho um carinho especial por essa escola, inclusive, pois foi a ela que eu dei minha primeira palestra sobre Benedicto Calixto, em 2025, após convite da Secretaria da Educação. Nesse contato, conheci uma equipe maravilhosa entre dirigentes e professoras, e claro, os alunos, que ficaram muito curiosos de conhecer a história e as pinturas de Calixto! Os pequenos estavam participando da criação coletiva do livro Itanhaém - A Cidade da Gente, uma linda obra que com certeza inspirou cada um daqueles meninos e meninas a amarem a Itanhaém em que vivem.


E como a História é algo que se faz diariamente, faço questão de aqui deixar um abraço ao então diretor Carlos Eduardo Pereira de Lima e à professora Lyzandra de Camargo, que fazem um trabalho primoroso em prol da educação na escola E.M. Maria Graciette Dias. E claro, não poderia deixar passar um joinha pros jovens escritores que conheci naquela ocasião: Alice, Angélica, Cauã, Danilo, Davi, Diego, Eliza, Felipe, Gabriel, Gustavo, Heitor, Heloisa Nogueira, Heloisa Pestana, Isaac, João Lucas, João Pedro, Jonas, Juan, Laura, Marco Antonio, Maria Luiza, Murilo, Nicolle, Pietra, Raphael, Samuel e Vitória! Sigo torcendo pelo sucesso de vocês!


O livro Itanhaém - A Cidade da Gente, que alguns dos pequenos autografaram para mim!
O livro Itanhaém - A Cidade da Gente, que alguns dos pequenos autografaram para mim!

Este artigo foi um tanto mais curto que outros daqui do HISTORITA, e isto se deve justamente à dificuldade de encontrar informações em registro sobre as mulheres de Itanhaém. Mas eu tenho certeza de que alguém da família dela vai acabar encontrando minha pesquisa e poderá acrescentar mais detalhes. E é assim que fazemos por aqui: nada é definitivo, tudo pode ser atualizado.


Por exemplo, Ana Lúcia nos contou que hoje a professora Graciette já tem 13 bisnetos!


Por isso, se você conheceu ou é da família da professora Maria Graciette Dias, entre em contato comigo pelo e-mail inglesgus@gmail.com. Eu vou ter o maior prazer de acrescentar mais informações para que os dados sobre a história da professora (e das outras que virão!) sejam os mais completos possíveis.


É por isso que agradeço aos nossos queridos colaboradores na seção abaixo!


Pesquisa por:

MOTA, Gustavo Caperutto da.


Agradecimento especial a:

Ana Lúcia Simões Dias

João Tadeu Bastos Silva

Ricardo Florestal

Sonia Maria de Oliveira

Suely Neves Marques


Fontes:


CORREIO DO LITORAL. Aniversário de Maria Graciette Dantas. Itanhaém, nov. 1952.

O DIÁRIO. Grupo Escolar Barnabé apoia campanha de segurança no trânsito para crianças. Santos, 11 jun. 1949.

A TRIBUNA. Nascimento de Miguel Simões Dias Junior. Santos, 17 abr. 1955.

A TRIBUNA. Maria Graciette Dias assume direção do Grupo Escolar Benedicto Calixto. Santos, 4 jun. 1958.

A TRIBUNA. Convocação para o Tribunal do Júri Popular de Itanhaém. Santos, 1968.

A TRIBUNA. Concurso Professora do Ano. Santos, 1979.

A TRIBUNA. Casamento de Ana Lúcia Simões Dias. Santos, 1980.

A TRIBUNA. Missa de sétimo dia de Maria Graciette Dias. Santos, 6 ago. 2002.

GOOGLE. E.M. Maria Graciette Dias – Belas Artes, Itanhaém (SP). Fotografia de localização. Disponível em: https://maps.google.com. Acesso em: set. 2025.

ITANHAÉM – A CIDADE DA GENTE. Itanhaém: Secretaria Municipal de Educação, 2025.

1 comentário


robertocarvalholima
10 de mar.

Tia Graciette era cultíssima, muito inteligente e de personalidade única. Uma mulher marcante e muito elegante. Além de excelente professora, administrava a casa com maestria. Cozinhava como ninguém, e a fartura era sua marca registrada.

Adorava uma cervejinha e tinha um senso de humor maravilhoso; seu sorriso iluminava qualquer ambiente. Dificilmente não gostava de alguém, mas, se isso acontecesse… misericórdia! Não fazia cerimônia, rsrs.

Tive o privilégio de conviver com ela durante minha infância e adolescência. Uma família muito querida! Que saudade das nossas conversas ❤️

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