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O Convento de Nossa Senhora da Imaculada Conceição de Itanhaém

  • Foto do escritor: Gustavo da Mota
    Gustavo da Mota
  • há 6 horas
  • 3 min de leitura

Atualizado: há 1 hora



O Convento de Nossa Senhora da Imaculada Conceição de Itanhaém constitui um dos marcos mais significativos da presença e da ação religiosa portuguesa no litoral paulista e um dos primeiros complexos sacros erigidos no território brasileiro. Localizado no alto do Morro do Itaguaçu, no Centro Histórico de Itanhaém (SP), sua importância transcende a dimensão arquitetônica e religiosa para integrar a narrativa da colonização, da devoção mariana e das transformações socioeconômicas da região desde o século XVI.


O local que hoje abriga o Convento teve origem, no início do processo formativo da Vila de Nossa Senhora da Conceição de Itanhaém, em uma modesta capela dedicada à Imaculada Conceição, construída provavelmente na mesma data — 1532 — em que se estabeleceu a povoação. Esse templo é considerado a primeira capela erguida no Brasil em louvor à padroeira de Portugal, demonstrando o rápido estabelecimento da devoção mariana no contexto colonial inicial.


A instituição formal do convento relaciona-se à chegada dos franciscanos. Em 1654, a Irmandade de Nossa Senhora da Conceição cedeu a igreja e o terreno à Ordem Franciscana, vinculando o sítio ao Convento de Santo Antônio do Rio de Janeiro. Entre o final do século XVII e o início do XVIII, a antiga capela foi substituída por uma construção mais substancial. A edificação da atual igreja iniciou-se em 1699 e foi concluída por volta de 1713 sob a direção de Frei Miguel de São Francisco; a ampliação do complexo, com a construção do convento propriamente dito, ocorreu entre 1733 e 1734 sob o Frei Rodrigo dos Anjos.


O conjunto arquitetônico é representativo do estilo colonial barroco adaptado ao contexto brasileiro do litoral na transição dos séculos XVII e XVIII. Erguido em pedra e cal, o corpo principal apresenta nave única com vitrais e retábulos em madeira talhada que refletem a tradição portuguesa e elementos decorativos locais. O frontispício exibe azulejos com arabescos, e a única torre sineira indica os cânones estéticos e funcionais da arquitetura religiosa franciscana do período. À direita da igreja, encontram-se as ruínas do corpo conventual original, cujo teto e coberturas não foram preservados.


O convento foi sujeito a transformações e incidentes ao longo dos séculos. Um grande incêndio, ocorrido em 1833, devastou grande parte da edificação; a reconstrução da igreja foi concluída em 1865, enquanto partes do corpo conventual permaneceram em estado de ruína. A posse do imóvel foi posteriormente transferida à Diocese de Santos em 1916, que manteve a propriedade e promoveu intervenções de restauração no século XX, inclusive em 1921 e com tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1941, seguido de outro tombamento pelo CONDEPHAAT na década de 1970.


O Convento de Nossa Senhora da Imaculada Conceição consolidou-se historicamente como um local de devoção e peregrinação. A imagem da padroeira, conhecida como Imaculada Conceição ou “Virgem de Anchieta”, encomendada em meados do século XVI, tornou-se um ícone de fé, associada inclusive ao poema escrito por José de Anchieta durante suas atividades missionárias na costa paulista. O complexo não apenas servia a funções litúrgicas, mas também atuou como retiro para religiosos em busca de contemplação e penitência, característica típica de casas de noviciado.


No século XXI, o convento tem sido objeto de esforços continuados de conservação e revitalização. Projetos recentes de restauração, bem como a implementação de iluminação e mecanismos de segurança, têm procurado resguardar o patrimônio material e ampliar sua acessibilidade ao público. Essas ações envolvem parcerias entre instituições públicas, religiosas e organizações civis, destacando a função do patrimônio histórico como elemento de identidade comunitária e de educação patrimonial.


O Convento de Nossa Senhora da Imaculada Conceição de Itanhaém é um registro material e simbólico da história colonial brasileira. Sua evolução arquitetônica e funcional reflete mudanças sociais, religiosas e culturais ao longo de mais de quatro séculos. A preservação do conjunto não se limita à manutenção física, mas implica reconhecimento de sua centralidade na memória histórica da cidade, da devoção mariana no Brasil e da presença franciscana na formação do patrimônio religioso e cultural da região.

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por Gustavo C. da Mota

 

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