O Convento de Itanhaém - fevereiro de 1945 - José Carlos Só


José Carlos Só inaugura sua participação no HISTORITA nos trazendo uma memória sobre o Convento de Itanhaém de 1945. Boa leitura!
Em princípio de fevereiro de 1945, Frei Venâncio (clique para ler a biografia), único franciscano residente em Itanhaém, foi a São Paulo, recebendo lá a grata notícia de que receberia um confrade como auxiliar da paróquia e companheiro na vida religiosa. De fato, após dois anos e meio de vida solitária no convento quase em ruínas, recebeu Frei Venâncio como companheiro o Frei Epifânio, transferido do convento de Guaratinguetá para Itanhaém, chegando aqui no dia 15 de fevereiro.
Ele ficou responsável por atender os fiéis das Capelas de Peruíbe, Itariri e Praia Grande, todas pertencentes à paróquia de Itanhaém.
(Aliás, a paróquia de Itanhaém não é de toda desconhecida de Frei Epifânio, pois já esteve aqui por algum tempo. Por ora Frei Epifânio toma conta das capelas de Itariri, Peruíbe e Praia Grande)
Galinhas e pomar
Nessa época, eles recebiam marmita de um hotel da cidade (alguém pagava), porém, por ser muito simples, foi preciso melhorá-la um pouco com ovos, frutas e verduras. Mas como isto eram coisas raras e de difícil aquisição aqui, e quando havia, cobrava-se um alto preço, os frades resolveram criar algumas galinhas, formar um bom pomar e uma boa horta, tudo lá no alto, no terreno em torno do Convento.
— Qual seria a galinha ideal para esse fim, isto é, de dupla finalidade: boa poedeira e ótima carne?
Frei Epifânio, que era um ótimo conhecedor de diversas raças de galinhas, resolveu imediatamente o caso: a Rhode Island. Ele foi a uma granja em Santos e de lá trouxe duas dúzias de pintos de um dia. Em seguida, iniciaram a limpeza do pequeno bananal situado atrás da Igreja em direção à biquinha.
Limpo o bananal, deu-se início em aumentar o pomar, que constituía já de algumas fruteiras como abacateiros, mangueiras, cerejeiras japonesas e mamoeiros, além de umas pequenas mudas de laranjeiras, tangerineiras e cajueiros obtidos pelos frades por meio de sementes que foram adquiridas em Limeira, na fazenda Citra.
Estando porém o pomar localizado no morro e exposto a fortes ventos, foi preciso protegê-lo. Para tanto procedeu-se nas encostas do morro a plantação de dezenas de pés de eucalipto, semeados e cultivados por Frei Epifânio.
Contribuição voluntária de José Carlos Só, 2026.

José Carlos Carneiro Paulin (pseudônimo: José Carlos Só), nascido em São Paulo em 7 de julho de 1947. Manteve casa no bairro Belas Artes, em Itanhaém, durante 20 anos. Foi nesse período que se apaixonou pela história da cidade e passou a pesquisá-la profundamente. Como resultado de suas pesquisas, escreveu três livros dedicados à história de Itanhaém: Itanhaém: História & Estórias (1995), Frei Santa Mafalda: o herói esquecido de Itanhaém (2000) e Anchieta e Itanhaém (2010).



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