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Francisco Paniquar Filho

  • Foto do escritor: Gustavo da Mota
    Gustavo da Mota
  • há 15 horas
  • 21 min de leitura
Fotografia oferecida por Francisco Paniquar Gatto
Fotografia oferecida por Francisco Paniquar Gatto

ATENÇÃO: Este é um artigo inusitado do HISTORITA. Preste bem atenção às falas que estão em ITÁLICO no diálogo a seguir, e boa leitura!


☎️ TRIIIM... TRIIIM...


— Central.

— Boa tarde. Gostaria de fazer uma ligação para Itanhaém.

— Qual o número desejado?

— Itanhaém, número 1234, residência do senhor Paniquar.

— Um momento, por favor. Vou tentar completar.

(Silêncio. Estalos na linha. Vozes distantes e ruídos metálicos da central.)

— São Paulo chamando Itanhaém... São Paulo chamando Itanhaém...


☎️ (Pausa longa.)


— Itanhaém na linha. Aguarde.


A telefonista Maria Isabel Sartório Santos na mesa do PBX em 1970, na CTI. Em pé, da esq. p/ dir.: Iara Mariano, Ana e Leni (Acervo pessoal de Maria Isabel Sartorio Santos, cedida em permissão dada ao HISTORITA)
A telefonista Maria Isabel Sartório Santos na mesa do PBX em 1970, na CTI. Em pé, da esq. p/ dir.: Iara Mariano, Ana e Leni (Acervo pessoal de Maria Isabel Sartorio Santos, cedida em permissão dada ao HISTORITA)

☎️ (Mais chiados. Do outro lado, a telefonista Maria Isabel faz a conexão do PBX)


— Alô? Residência do senhor Paniquar?

— Sim, quem fala?

— Aqui é a telefonista. Chamada do HISTORITA para o senhor.

— Pode passar.


☎️ (Clique.)


— Alô? Seu Paniquar?

— Alô... quem fala? Fala mais alto que a linha tá ruim.

— É o Gustavo, do HISTORITA!

— Gustavo! Espera um pouquinho... agora melhorou. Agora eu lhe ouço melhor. Como vão as coisas aí?

— Tudo bem. Estou fazendo esse DDT pra perguntar umas coisas pro senhor...

— DDT? Dedetização?

— Não, Seu Paniquar. É um DDT, uma Discagem Direta Temporal. Eu estou ligando de 2026.

— Impressionante, isso aí. Parece que foi ainda ontem que instalamos os primeiros postes e cruzetas... E por aqui estamos em 1970.

☎️(Chiado forte.)

— O senhor pode repetir, Seu Paniquar? A linha cortou.

— Eu disse 1970. Essas linhas vivem falhando.

— Ah, sim! É por isso mesmo que eu quero falar com o senhor. Já deve ter muita história pra contar daí de Itanhaém, né, Seu Paniquar?

— Ah, meu filho... Nesses anos todos aqui... eu vi e vou ver tudo isso aqui crescer. Quando eu cheguei não tinha luz, não tinha estrada, não tinha nada. Então história tem bastante, viu?

— Mas antes: e a Dona Zely, tudo bem com ela?

— A tá bem, graças a Deus. Quer falar com ela?

— Hoje eu vou falar só com o senhor, Seu Paniquar. Mas prometo que ligo pra conversar com ela mais pra frente. Se um DDD já é caro, imagine o senhor o preço de um DDT!

(Risos baixos.)

— É verdade. É verdade mesmo... Daqui a pouco vão cobrar até pra respirar nesse telefone. E então, o que é que você quer saber?



Nasce o Paniquar Filho


Posto policial de Tapiratiba, 1928 (Acervo da ALESP)
Posto policial de Tapiratiba, 1928 (Acervo da ALESP)

☎️

— Seu Paniquar, na minha pesquisa, eu descobri uma informação que eu não imaginava. O senhor não nasceu em Itanhaém?

Não, eu nasci numa cidade chamada Tapiratiba. É pra lá de São José do Rio Pardo. Dá quase umas cinco horas de carro daqui pra lá.

— Longe! E de lá o senhor veio pra Itanhaém? Me conta essa história...

— Na verdade, o que aconteceu foi o seguinte...


(...)


Francisco Paniquar Filho nasceu em 10 de outubro de 1924, em Tapiratiba, interior do extremo nordeste do estado de São Paulo. Filho de Francisco Paniquar (pai) e Santina Paniquar, casal que teve os filhos Anésia, Pedrina, Maria, Antonio, José, Zulmiro, Francisco, Ari, Fernando, Amélia e Helena. Apesar de ter nascido em Tapiratiba, viveu ali pouco tempo, mudando-se ainda muito pequeno com a família para Duartina, no oeste do estado.


Duartina em 1925 (Acervo de Alcides Bonaci Jr. - Facebook)
Duartina em 1925 (Acervo de Alcides Bonaci Jr. - Facebook)

Posteriormente, a família se mudou para São Paulo, e lá, passando por dificuldades de teto e comida, o jovem Paniquar se alistou no exército ainda com 17 anos em 1941, com a permissão para alistamento fora da época assinada por sua mãe. E como uma mãe zelosa, é claro que ela deixaria o filho se alistar com total tranquilidade em pleno período de II Guerra Mundial, não é?


Não foi bem esse o caso, claro. E então Paniquar fez ali talvez o seu primeiro ato de ousadia em prol de uma vida melhor: assinou pela mãe. Foi aceito, alistado, em 1 de novembro de 1941, e um tempo depois destacado a São Vicente para cuidar da travessia pela Ponte Pênsil, proibindo que pessoas nacionais de países contra os quais o Brasil lutava passassem por ali. Afinal, a preocupação com o que acontecia no porto de Santos naquela época bélica era extrema.


Foi em ocasião de uma dessas travessias que Paniquar encontrou o comerciante português Manoel Jorge, que vinha de Itanhaém. De caminhão, ele usava a ponte na expectativa de fazer transações comerciais com Santos e São Vicente, e Paniquar teimava com ele, oferecendo aquele bom chá-de-cadeira ao sr. Manoel.


De acordo com sua certidão de reservista, Francisco Paniquar Filho teve o posto de Segundo Sargento e serviria até 2 de agosto de 1945.


Francisco Paniquar Filho, início da década de 1940 (Acervo da família, oferecido ao HISTORITA por Francisco Paniquar Gatto)
Francisco Paniquar Filho, início da década de 1940 (Acervo da família, oferecido ao HISTORITA por Francisco Paniquar Gatto)

(...)


☎️


E como que o senhor veio parar em Itanhaém?

— Nessa época eu era Sargento do Exército e, devido à guerra, eu vim comandar um destacamento aqui. A população dizia que tinha submarinos navegando na nossa costa e que eram abastecidos por alguém da população. Então, o decreto distribuiu nas várias cidades do litoral pequenos destacamentos militares do exército para vigiar a cidade. Por isso que eu vim aqui. Cheguei no dia 18 de outubro de 1942, com 25 homens do exército.

E vou te falar, meu filho: as pessoas se davam bem. Sempre as pessoas convidavam para almoçar nas casas dos outros. Eu mesmo, quando cheguei aqui com minha tropa, eu era tratado assim. Todo mundo queria dar comida pra gente, queria alojar a gente, tratar bem da gente.

Uma dúvida: o senhor disse que Manoel Jorge ia para São Vicente vindo de Itanhaém, certo? Chegou a se encontrar com ele e com a Dona Zely por aí?

Encontrar, não: mais que encontrar. Acontece que quando eu vim com o destacamento, só tinha o hotel do Manoel, o Hotel Atlântico, eu me hospedei lá. E ela veio do colégio dela passar as férias; ficou perdidamente apaixonada! (risos) Foi rápido; mas é muita coincidência, porque logo depois que eu fui comandar o destacamento aqui, eu tinha 20 homens e veio... 120 homens. Aí quem comandava era o Capitão. Então eu fui embora. Antes de ir embora, eu fui me hospedar justamente na pensão em que ela morava, que ela estudava em Santos. Prosa vai, prosa vem...

Que beleza. Ela estudou na Associação Instrutiva José Bonifácio, de Santos, não foi?

Isso mesmo. Eu a Zé acabamos namorando, então desde quando ela estudava na José Bonifácio. O Seu Manoel não gostava muito que eu namorasse com a filha dele, dizia a ela que ia fazer alguma com coisa se pegasse ela andando comigo. No fim, não adiantou nada.

(Risos)

E Gustavo, tem uma história interessante do Seu Manoel: na época em que eu vim, o Hotel Atlântico tinha um letreiro luminoso que iluminava toda a Cunha Moreira. À noite, só se via aquilo.

Espera aí: nesse tempo já tinha a energia elétrica?

— Não, havia assim, esporadicamente. Por exemplo: tinha meses que tinha e meses que não tinha. Era um motor que quebrava e ficava quebrado. Não tinha luz. Quando tinha, funcionava até as 9 ou 10 da noite. Era um gerador. Depois mudou, mas eu já lhe conto.

Ah, entendi.

Então, eu disse ao Seu Manoel que não poderia ter aquela luz toda acesa à noite, porque havia o risco de algum navio inimigo ou mesmo o tal submarino ver de longe que existia aqui uma vila. Como Sargento, mandei que ele desligasse.

E desligou?

Ah, desligou nada. Seu Manoel era duro na queda. Ficamos assim por uns dias, e eu dizia a ele que ia dar um tiro naquele letreiro caso ele não obedecesse. Ele achou que era blefe meu, mas era verdade. Eu sempre falei e fiz; nunca fui só de falar. Por isso, um dia, eu fui lá e dei o tiro. Pronto, resolvido. Foi um alarde, mas resolveu.

(risos)

E não azedou a relação por conta disso?

Não.. Até virou sogro oficial, porque logo eu e a Zé casamos. Nós casamos em (23 de) dezembro de 45. Com o Frei Hilário. Lá no Convento. Na ocasião, a igreja de baixo estava em reforma. A Zé estava linda, com um vestido cor-de-rosa, combinando com as flores do altar. Depois viajamos, mas foram três dias de festa, acredita? No mesmo Hotel Atlântico.


(...)


Enlace Jorge-Paniquar, 22 dez 1945 (O Diário)
Enlace Jorge-Paniquar, 22 dez 1945 (O Diário)

Do casamento, nasceriam logo as duas filhas: Iara, em 1946, e Ieda, em 1948.


(...)


☎️


E como foi a história de virar vereador, Seu Paniquar?

Isso foi por 1947... Não, 1948, quando acabou o Estado Novo e foram as primeiras eleições do Brasil depois de 20 e tantos anos. Eu fiz uma campanha, e o Harry (Forssell)... Eu fui vereador nessa campanha. Então, nós não encontramos na Prefeitura nada. Não tinha um livro, não tinha um talão de recibo, não tinha nada, nada, a não ser poeira. A Prefeitura não tinha nem funcionário, acredita? A Prefeitura tinha dois funcionários: um chamava Teodomiro de Souza, e o outro chamava... eu não me lembro o nome do outro, morava na Vila São Paulo. E tem até uma rua com o nome dele. Um era o tesoureiro e o outro o fiscal. Eles se pagavam o ordenado deles dando uma multinha nos comerciantes, dando uma multinha nos turistas, e era o que eles tinham. Então, nós nos encontramos com nada. Foi o Harry que começou. Na gestão dele, nós, claro, sugestão dele, começamos a botar ordem na cidade. Começou a fazer lançamento, fazer lista de cadastro, começou a pedir escritura das pessoas, enfim, começou a ver exigências para que as pessoas fizessem casas. Porque o pessoal construía no meio da rua. A questão do alinhamento, o serviço sanitário... A propósito, você conhece o Dr. Nogueira?

Não pude conhecer pessoalmente, por questões temporais, sabe... mas eu o conheci através do HISTORITA.

— Esse médico foi um homem muito importante para essa cidade. O Dr. Nogueira, não tem ninguém que se compare ao que esse homem fez para Itanhaém. Não existe mais. Quando eu e ele vimos que não havia como depender do transporte por terra, ou melhor, pela areia da praia, pra levar os doentes, combinamos de fazer um bem-bolado. Com outros amigos, dividimos entre todos o valor pra comprar um avião, que seria a melhor forma de ir até São Paulo, até Santos. Em 1950, nós estávamos estudando aviação lá em Santos, eu e ele, no Aero Clube de lá. O Hugo Pollastrini também estava. É, foi isso mesmo. No mesmo ano em que eu fui vice-presidente do E.C. São Paulo.


(...)


Aumenta o quadro associativo do Aero Clube de Santos, 27 set 1950 (A Tribuna)
Aumenta o quadro associativo do Aero Clube de Santos, 27 set 1950 (A Tribuna)
Novas diretorias - E.C. São Paulo, 18 out 1950 (A Tribuna)
Novas diretorias - E.C. São Paulo, 18 out 1950 (A Tribuna)

(...)


☎️


Bastante inovadora, a ideia de terem um avião! Como o povo reagiu a essa novidade?

— Então, eu que improvisei uma pista de aterrissagem, inclusive recebi ajuda do Dr. Nogueira. Descia aqui na Avenida Condessa de Vimeiros. Eu pousava com o avião ali, então juntava um monte de gente que nunca tinha visto... Então, era um perigo. Tinha até medo de descer. Enquanto eu tava descendo, juntava um monte de gente pra ver o que aquilo era, passar o dedo pra ver... Saiba que uma vez nesse tempo teve um rapaz que passou uma temporada aqui com a família, e a filhinha dele ficou bem ruim, bem adoentada. Se ficasse aqui, ou se esperasse demais, até morria. Então eu me ofereci pra levar de avião pra outra cidade, pra que tivesse tratamento. E assim foi. Eu sei que esse rapaz era de um banco, o Banco Comércio e Indústria de Minas Gerais, e ele ficou tão agradecido com a ajuda, que me ofereceu de abrir e trabalhar numa agência daquele banco aqui na cidade. Mais tarde, esse banco foi comprado pelo Itaú, e está aqui até hoje.

Inclusive até hoje, em 2026, Seu Paniquar. E vai longe.

 E você por acaso já viu banco não ir longe?

(risos)


Avenida Condessa de Vimieiros, que seria usada por Paniquar como pista de aterrissagem, 1949 (Foto do acervo da família, cedida por Francisco Paniquar Gatto)
Avenida Condessa de Vimieiros, que seria usada por Paniquar como pista de aterrissagem, 1949 (Foto do acervo da família, cedida por Francisco Paniquar Gatto)

Só uma dúvida, Seu Paniquar: sobre o avião; não daria pra ficar usando a avenida como pista pra sempre, né?

Não, porque era perigoso. Então, eu tinha um avião, e não tinha onde deixar o avião. Eu precisava de um aeroporto em Itanhaém. Onde é que ia deixar meu avião? Eu não fui pedir pra ninguém. Andei pelo mato aí e vi uma área boa pra fazer o campo, onde é hoje o Dr. Nogueira também, que também era piloto. E nós fomos procurar essas firmas, cada uma delas doou um pedaço... Fizemos o aeroporto e tá funcionando até hoje. Aeroporto de Itanhaém. Nós fizemos. Como é que nós fizemos? Tavam construindo a estrada, nós não tínhamos dinheiro. Então, falávamos com o engenheiro da estrada: "Você pode botar uma máquina lá que nós damos uma aula pra você de vôo, 2 horas, 3 horas." E ele, então, escondido, botava as máquinas pra lá, fazia a terraplanagem, e nós ensinávamos ele a voar, levávamos ele pra cidade dele às vezes... Fazíamos uma troca de favores. Então, é assim que a gente... Nós trabalhamos por essa cidade.

Bastante corajoso de vocês.

Nada, menino. Alguém precisava fazer. Se o Poder Público não demonstrava interesse, nós dávamos um jeito.

E por falar em fazer...

Já sei. Você quer falar da CTI, né? A CTI foi fundada em 1955, o que foi bom, porque ajudou a me distrair do ano anterior, quando faleceu o meu pai.


(...)


Obituário de Francisco Paniquar, 21 mai 1954 (A Tribuna)
Obituário de Francisco Paniquar, 21 mai 1954 (A Tribuna)

(...)


Paniquar e a Companhia Telefônica de Itanhaém


Logo CTI - 1970
Logo CTI - 1970

Diz-nos o pesquisador José Carlos Só, em seu livro Itanhaém, Histórias & Estórias (1996, p. 101):


"Em 1950, o prefeito Harry Forssell mandou abrir uma picada de Itanhaém até Mongaguá ao lado dos postes de telégrafo da estrada de ferro, e ali foram passados os fios telefônicos.


Em 1951, quando tudo estava pronto, ele contatou a antiga Companhia Telefônica Brasileira - CTB e foi então inaugurado o primeiro telefone público de Itanhaém, no local hoje ocupado pelo Banco Itaú.


Segundo Forssell, a inauguração foi concretizada com uma ligação dele para o então Governador de São Paulo, Dr. Adhemar de Barros."


Então, Itanhaém chegou a ter telefone antes da CTI, mas eram apenas 4 telefones privados, fora o da Estação. Francisco Paniquar foi quem deu essa informação ao pesquisador, dizendo que havia apenas 1 telefone em cada um dos três hotéis (Hotel Balneário, Hotel Polastrini, Hotel Atlântico) e 1 na Prefeitura.


E assim seria por muitos anos, por falta de investimentos do Poder Público no sistema telefônico. Foi então que, em 1955, Francisco Paniquar Filho juntou-se a Joaquim de Almeida Batista e José Francisco de Oliva Júnior para pré-fundar a CTI - Companhia Telefônica de Itanhaém.


O HISTORITA ainda vai trazer a você, caro leitor ou leitora, um artigo só sobre a CTI. Por enquanto, vamos seguir com a história de Paniquar em nossa ligação temporal.


Francisco Paniquar Filho em 1955 (Acervo da família, oferecido ao HISTORITA por Francisco Paniquar Gatto)
Francisco Paniquar Filho em 1955 (Acervo da família, oferecido ao HISTORITA por Francisco Paniquar Gatto)

(...)


☎️


Seu Paniquar, o Forssell conseguiu a instalação dos primeiros telefones, mas eram poucos, certo? Era quase como se não tivesse telefone de fato.

É... Não tinha telefone, não tinha... Nas emergências, quando as coisas eram muito feias, ficava muito grave, a gente usava telégrafo da estação. Então, a gente pedia pro chefe da estação daqui passar um telegrama pro chefe da estação de Santos, pedindo pro chefe da estação de Santos telefonar para um tal lugar assim, assim, pra uma emergência, um aviso pedindo socorro, entendeu?

Claro. Bastante difícil.

Então a gente viu que a coisa não ia andar com a velocidade que Itanhaém precisava, mas ninguém foi chorar pro governo por telefone. Nós organizamos um grupo, fundamos uma companhia telefônica. Mas nossa cidade era muito pequena para manter uma equipe. Então, fundamos em Mongaguá, Itanhaém, fundamos em Peruíbe, Juquiá, Iguape e Jacupiranga. E o serviço telefônico de todas essas cidades era comandado por nós. Eu era o vice-presidente dessa empresa. Estive nela 19 anos, até que o governo... incorporou com a TELESP, em 1975.


☎️(Chiado forte.)


Anúncio da CTI em 1965, 15 abr 1965 (O Diário)
Anúncio da CTI em 1965, 15 abr 1965 (O Diário)

☎️


Alô? Alô, Gustavo? Tá me ouvindo?

☎️(Chiado mais forte, ligação cruzada por um segundo. Estabiliza.)

Agora sim, Seu Paniquar. Mas receio que seja já um sinal de que meus créditos temporais estão acabando. Vou ter que encerrar a nossa ligação.

Ah, que pena...

Mas olha, antes de desligarmos, eu queria dizer que o HISTORITA está fazendo neste mês uma homenagem por conta da Festa do Divino. Quer falar como era a Festa do Divino lá pelos anos 1950?

Ah, mudou muita coisa. Muito, muito. Essa Festa do Divino, eu me lembro que vinha gente de São Paulo, o estado de São Paulo inteiro: Sorocaba, Bauru, Mogi Mirim, todas as cidades de São Paulo vinham ver aquela famosa Festa do Divino. Ficava tudo na cidade. Como não tinha alojamento para todo mundo, as famílias recebiam, quer dizer, alojavam a turma que ia participar da festa. A Festa do Divino era muito bonita.

Imagino! Bom, Seu Paniquar, eu te agradeço por essa atenção. Tenho certeza que o pessoal de 2026 em diante vai gostar muito de conhecer o senhor e ouvir suas palavras.

Foi um prazer. Posso deixar uma mensagem pra essa geração do seu tempo?

Por favor, seu Paniquar! À vontade.

Quero dizer que nós trabalhamos por essa cidade, e é uma mensagem boa para vocês, porque nada disso foi difícil fazer. Foi até muito gratificante, foi gostoso fazer. Você, de repente, começa a ver aquele negócio funcionando. Tem contabilidade, departamento de almoxarifado, todo mundo tá contente. Você quer ligar, pega o telefone da sua mesa. Quem foi que fez isso? Ah, fomos nós, ora! Quem foi? Então, é uma mensagem para os mais meninos, porque essa época eu tinha 20 e poucos anos. Todos nós fundamos empresa de luz, o campo da aviação e a companhia telefônica. Fomos nós que fundamos tudo, e está aí até hoje.

(...)


☎️


A ligação que você, cara leitora ou caro leitor, acabou de ler, nunca aconteceu, é claro. Apesar de o número 1234 ser o número real do telefone de Paniquar, a ligação é uma ficção.


MAS! E aqui é um grande e surpreendente MAS: as falas de Francisco Paniquar Filho que estão marcadas em itálico são falas reais dele, que aconteceram, extraídas de uma entrevista que ele forneceu a alunos da EEPSC Benedito Calixto em 1989, quando da execução do Projeto Pró-Memória, criado e organizado pela professora de História Sonia Maria de Oliveira e do professor Luiz Pereira Góes (CEFAM).


O HISTORITA ainda virá apresentar a você o Projeto Pró-Memória, com as palavras da própria professora Sonia, muito em breve.


Outra fonte de pesquisa para a criação dessa ligação vem diretamente do neto de Paniquar, o amigo Francisco Paniquar Gatto, que muito gentilmente permitiu ao HISTORITA o acesso a uma fita VHS da cerimônia e festa das Bodas de Ouro de Paniquar e Zely em 1999, onde se pode ver o próprio Paniquar falando sobre a época de namoro e casamento, além de outras pessoas que estavam na festa e comentaram detalhes importantes. Essas falas dele também estão em itálico.


Essa "ligação" foi uma forma de homenagear a figura de Paniquar enquanto empreendedor, especialmente por conta de sua atuação na CTI.


Agora, seguiremos com a biografia de Paniquar!


Um enxadrista de tamancos


Em 1957, há o registro de um campeonato no qual Paniquar participou, de um jogo que cabia bem ao empreendedor estrategista: o xadrez. Foi o III Campeonato Oficial de Xadrez de Itanhaém. Paniquar inclusive participou jogando contra o já amigo Harry Forssell, e os dois participariam de vários outros torneios pelos anos seguintes. É possível imaginarmos Paniquar com suas roupas brancas de costume, bermuda e tamancos (que ele usava sempre, mesmo no trabalho), rachando a cuca na frente de um tabuleiro de xadrez com Harry.


III Campeonato Oficial de Xadrez de Itanhaém, 8 set 1957 (A Tribuna)
III Campeonato Oficial de Xadrez de Itanhaém, 8 set 1957 (A Tribuna)
IV Campeonato Oficial de Xadrez de Itanhaém, 30 mai 1958 (A Tribuna)
IV Campeonato Oficial de Xadrez de Itanhaém, 30 mai 1958 (A Tribuna)
Desperta interesse o torneio oficial de xadrez do município, 11 set 1959 (A Tribuna)
Desperta interesse o torneio oficial de xadrez do município, 11 set 1959 (A Tribuna)
Campeonato de xadrez da S.V.E. São Paulo, 1 jun 1960 (O Diário)
Campeonato de xadrez da S.V.E. São Paulo, 1 jun 1960 (O Diário)

Em 1959, temos o registro de Paniquar como uma das pessoas que ajudou a comprar o órgão para a Igreja Matriz de Sant'Anna.


Inaugurado o órgão da Igreja Matriz de Santana, 4 mar 1959 (A Tribuna)
Inaugurado o órgão da Igreja Matriz de Santana, 4 mar 1959 (A Tribuna)

Pouco tempo depois, em maio, houve a inauguração da nova Casa Paroquial, junto da entrega do título de Cidadão de Itanhaém a D. Idílio José Soares. Veja a notícia a seguir, a qual você provavelmente vai ter que ampliar pra conseguir ler (toque ou clique na foto, e use dois dedos para ampliar). Paniquar esteve presente.


Solenidades durante a inauguração das novas dependências da Casa Paroquial, 30 mai 1959 (A Tribuna)
Solenidades durante a inauguração das novas dependências da Casa Paroquial, 30 mai 1959 (A Tribuna)

Ainda em 1959, no dia 5 de agosto, houve a formalização da criação do Aero Clube de Itanhaém, na qual elegeram-os membros da diretoria. Paniquar foi tido como o vice-presidente dessa primeira diretoria.


Eleitos os primeiros membros da diretoria do Aero Clube local, 8 ago 1959 (A Tribuna)
Eleitos os primeiros membros da diretoria do Aero Clube local, 8 ago 1959 (A Tribuna)

No ano seguinte, o Aero Clube de Itanhaém recebia o seu primeiro avião para treinamento. A matéria, noticiada na Tribuna, diz que o avião vinha do Aero Clube de Franca, conduzido pelo inspetor do DAC (Departamento de Aviação Civil) Milton Vieira de Souza. O avião, que era um CAP-4 (Paulistinha) e tinha o prefixo PP-HCD, foi recebido por Paniquar no aeroporto. A matéria ainda diz que o avião foi batizado como N. Senhora da Conceição.


O PP-HCD do Aero Clube de Itanhaém., 1964 (Correio da Tarde). A imagem está bem ruim, mas é possível compará-lo com a imagem a seguir.
O PP-HCD do Aero Clube de Itanhaém., 1964 (Correio da Tarde). A imagem está bem ruim, mas é possível compará-lo com a imagem a seguir.

Em 1961, Paniquar participou da comissão dos festejos pelo bicentenário da Igreja Matriz e quarto centenário da elevação de Itanhaém a vila. A essa altura, já é possível afirmarmos que ele era mesmo bastante envolvido com as questões sociais da cidade.


Em outubro desse ano, ele teve uma perua Kombi verde-areia, de placa B-23776 furtada, e ao que tudo indica, foi recuperada, pois Paniquar colocou um aviso na Tribuna pedindo que quem encontrasse os documentos do veículo devolvesse à polícia, oferecendo inclusive recompensa.


Em 21 de maio de 1962, sua mãe Santina morre em São Paulo. Na nota de sua morte, o nome de Francisco é mencionado como diretor da CTI e bananicultor. Essa última ocupação é confirmada pelo fato de que em 1963 foi feito um arranjo entre os bananicultores itanhaenses associados à Cooperativa Central dos Bananicultores do Estado de SP, os quais compraram uma ambulância Kombi e doaram para a Prefeitura para que pudesse dar assistência aos trabalhadores no campo. Paniquar fez parte da doação. A falta de recursos era uma preocupação constante, como Paniquar inclusive traria em discussão na Câmara por vezes.


No ano de 1966, Paniquar aparece listado como tesoureiro no Lions Clube de Itanhaém.


Na esquerda da foto, Francisco e Zely em reunião no Lions Clube de Itanhaém. (Acervo da família, oferecido ao HISTORITA por Francisco Paniquar Gatto)
Na esquerda da foto, Francisco e Zely em reunião no Lions Clube de Itanhaém. (Acervo da família, oferecido ao HISTORITA por Francisco Paniquar Gatto)

Já em 1967, há registro da participação de Paniquar novamente como vereador, reclamando à Câmara que a maioria dos bananicultores do município estavam falidos, cobrando inclusive a promessa de construção de uma estrada para onde pudesse ser escoado todo o produto dos sítios, e a de conseguir um avião pulverizador para dizimar o chamado "mal da sigatoca", doença fúngica que necrotiza as folhas da bananeira. Ele chega à conclusão que a saída seria cortar a necessidade burocrática dos intermediários e organizar-se entre os próprios bananicultores para realizar as melhorias.


De fato, é isso que acaba acontecendo. No caso da estrada, por exemplo, Paniquar e os outros decidem construí-la por conta própria, com cada produtor construindo um pedaço dela correspondente à área de seu sítio.


Em 1968, Paniquar surge ligado à ACIMPE (Associação Comercial de Itanhaém, Mongaguá e Peruíbe) - que posteriormente se tornaria a ACAI, Associação Comercial de Itanhaém. Ali, ele atuou como conselheiro, provavelmente sob comando do sogro Manoel Jorge, que foi o primeiro presidente da Associação.


Em 1971, Paniquar participou de uma curiosidade da chegada de uma coisa estranha que surgiu no rio Itanhaém. Veja só (lembre-se de ampliar a imagem):


Pescadores de Itanhaém capturaram leão-marinho, 16 jul 1971 (Cidade de Santos)
Pescadores de Itanhaém capturaram leão-marinho, 16 jul 1971 (Cidade de Santos)

Em 1973, Paniquar faz parte de uma reunião com políticos locais e o deputado Alceu Praça para requisitar ao governo do estado (na época, o governador era Laudo Natel) a estrada que ligasse o distrito de Santo Amaro em São Paulo a Itanhaém, pois era mais proveitoso aos agricultores fazerem essa conexão no terreno sólido da serra até Parelheiros em vez de percorrerem toda a baixada e o mangue. A estrada inicial, até a margem do Rio Mambu, já havia sido construída pela união dos bananicultores, então o pedido era que o governo fizesse os 17 km restantes.


Sabe-se que o governador Laudo Natel veio a Itanhaém nos anos 1970... será que teve algo a ver? Isso pede mais pesquisa, então vai ficar para os próximos episódios.


A propósito, essa estrada é a que leva até a Cachoeira das Três Quedas e que hoje tem o nome de Estrada Francisco Paniquar Filho.


A aposentadoria e as Bodas de Ouro


Quando da anexação da CTI pela TELESP em 1975-76, Paniquar adentrava na fase de ouro da sua vida, passados dos 50 anos. Naturalmente, ele queria começar a estender os flaps das asas do trabalho e buscar viver. E assim foi: Paniquar e D. Zely viajaram pelo mundo, visitando um grande número de países. Os anos 1980 foram muito bem aproveitados com as jornadas.


Entre 1985 e 1987, Paniquar descobriu um câncer no pulmão. Como tratamento, precisou remover um dos pulmões e tirar um terço do outro. Apesar da gravidade da doença, ele conseguiu se reestabelecer bem e pôde viver o resto da vida com normalidade, ainda que com dificuldade em meio às épocas mais úmidas e frias na cidade.


Recuperado da doença e com sede de viver, em 1992, Paniquar comprou um avião ultraleve anfíbio. Queria voltar a voar.


Certo dia, como não havia instrutor pra acompanhá-lo no voo, ele deu partida e foi brincar com o avião, ficar correndo com ele na pista... quando deu por si, veja só que surpresa totalmente inesperada e nada intencional: o avião começou a levantar voo!


Depois dessa tristíssima ocasião completamente acidental, não tinha jeito: o negócio era sobrevoar a cidade um pouquinho, como quem não quer nada.


O problema foi na hora de pousar. Nesse momento, talvez ele tenha se lembrado de que um instrutor até que fazia um pouquinho de falta, pois o pouso não foi muito bem-sucedido. Lá foi o avião, se arrebentando no chão a três metros da pista. Felizmente, nada grave aconteceu, mas D. Zely ficou tão, mas tão feliz com a artimanha do marido, que mandou que ele vendesse o avião.


Em 1995, 50 anos depois, mas no mesmo dia em que se casaram, Paniquar e D. Zely celebraram suas Bodas de Ouro. A cerimônia foi toda filmada em VHS, incluindo a festa, e esse material foi primordial para que eu pudesse trazer a fala do próprio Paniquar sobre o casamento no início deste artigo.


Eis algumas imagens da fita:


Zely e Paniquar na Igreja Matriz (VHS de acervo da família, cedido por Francisco Paniquar Gatto)
Zely e Paniquar na Igreja Matriz (VHS de acervo da família, cedido por Francisco Paniquar Gatto)
Altar da Igreja Matriz na celebração das Bodas (VHS de acervo da família, cedido por Francisco Paniquar Gatto)
Altar da Igreja Matriz na celebração das Bodas (VHS de acervo da família, cedido por Francisco Paniquar Gatto)
O sacerdote das Bodas (VHS de acervo da família, cedido por Francisco Paniquar Gatto)
O sacerdote das Bodas (VHS de acervo da família, cedido por Francisco Paniquar Gatto)
Ieda, Zely e Paniquar (VHS de acervo da família, cedido por Francisco Paniquar Gatto)
Ieda, Zely e Paniquar (VHS de acervo da família, cedido por Francisco Paniquar Gatto)
Parte do público presente (VHS de acervo da família, cedido por Francisco Paniquar Gatto)
Parte do público presente (VHS de acervo da família, cedido por Francisco Paniquar Gatto)
Iara Paniquar (VHS de acervo da família, cedido por Francisco Paniquar Gatto)
Iara Paniquar (VHS de acervo da família, cedido por Francisco Paniquar Gatto)

Zely e Paniquar se preparando para a troca de alianças (VHS de acervo da família, cedido por Francisco Paniquar Gatto)
Zely e Paniquar se preparando para a troca de alianças (VHS de acervo da família, cedido por Francisco Paniquar Gatto)

Francisco Paniquar Filho (VHS de acervo da família, cedido por Francisco Paniquar Gatto)
Francisco Paniquar Filho (VHS de acervo da família, cedido por Francisco Paniquar Gatto)
O beijo do casal (VHS de acervo da família, cedido por Francisco Paniquar Gatto)
O beijo do casal (VHS de acervo da família, cedido por Francisco Paniquar Gatto)

Maria Tereza Leal Diz (Teté) entrevista Iara (VHS de acervo da família, cedido por Francisco Paniquar Gatto)
Maria Tereza Leal Diz (Teté) entrevista Iara (VHS de acervo da família, cedido por Francisco Paniquar Gatto)
Paniquar brinca com Teté na entrevista, quando disse que Zely ficou perdidamente apaixonada por ele quando veio passar as férias em Itanhaém (VHS de acervo da família, cedido por Francisco Paniquar Gatto)
Paniquar brinca com Teté na entrevista, quando disse que Zely ficou perdidamente apaixonada por ele quando veio passar as férias em Itanhaém (VHS de acervo da família, cedido por Francisco Paniquar Gatto)


Dona Zely entrevistada por Teté, também brinca sobre o segredo do casamento duradouro (VHS de acervo da família, cedido por Francisco Paniquar Gatto)
Dona Zely entrevistada por Teté, também brinca sobre o segredo do casamento duradouro (VHS de acervo da família, cedido por Francisco Paniquar Gatto)

O legado de Francisco Paniquar Filho


Infelizmente, em 3 de outubro de 2003, Paniquar veio a falecer após uma nova batalha contra a doença. Dona Zely seria mais longeva: viveria por mais 20 anos após a perda do marido, tendo nos deixado recentemente, em 2023.


Francisco Paniquar Gatto, Iara, e Alice (irmã de Zely) e Zely recebendo a Bandeira do Divino, 2023 (acervo da família, cedido por Francisco Paniquar Gatto)
Francisco Paniquar Gatto, Iara, e Alice (irmã de Zely) e Zely recebendo a Bandeira do Divino, 2023 (acervo da família, cedido por Francisco Paniquar Gatto)

Ao fim dessa longa jornada, caro leitor ou cara leitora, chegamos mais uma vez. E como sempre, nos resta analisar qual seria o legado do nosso biografado em questão. E Paniquar tem muito a se escolher para falar de legado, mas acho que podemos resumir de forma bem concisa.


Francisco Paniquar Filho chegou a Itanhaém com 25 homens e uma ordem de vigia, e ficou por 61 anos... tempo suficiente para deixar sua marca em quase tudo que hoje compõe o cotidiano da cidade. O aeroporto que existe porque ele caminhou com dr. Nogueira pelo mato à procura de um terreno bom. A linha telefônica que existe porque ele não quis se dar ao luxo de ir "chorar" pro governo. A estrada que leva até a Cachoeira das Três Quedas e carrega o seu nome. O banco que está lá até hoje por causa de uma criança salva a tempo. Tudo isso nasceu da mesma convicção que ele deixou de herança às gerações seguintes: a de que nada disso foi difícil de fazer (foi até gratificante!).


Francisco Paniquar Filho, provavelmente nos anos 1960 (acervo da família, cedido por Francisco Paniquar Gatto)
Francisco Paniquar Filho, provavelmente nos anos 1960 (acervo da família, cedido por Francisco Paniquar Gatto)
Francisco Paniquar Filho, provavelmente nos anos 1960 (acervo da família, cedido por Francisco Paniquar Gatto)
Francisco Paniquar Filho, provavelmente nos anos 1960 (acervo da família, cedido por Francisco Paniquar Gatto)
Francisco Paniquar Filho, provavelmente nos anos 1970 (acervo da família, cedido por Francisco Paniquar Gatto)
Francisco Paniquar Filho, provavelmente nos anos 1970 (acervo da família, cedido por Francisco Paniquar Gatto)

Quem sabe seja esse o maior legado de Paniquar: não apenas as obras que ergueu, mas a ideia de que uma cidade se constrói quando alguém decide parar de esperar e coloca a mão na massa.


Mesmo que de tamancos.


Pesquisa por:

MOTA, Gustavo Caperutto da.


Agradecimentos:

Francisco Paniquar Gatto

Iara Paniquar

Maria Isabel Sartorio Santos

Sonia Maria de Oliveira


Fontes utilizadas:

SÓ, José Carlos. Itanhaém: histórias & estórias. Itanhaém: [s.n.], 1996.


FONTES ORAIS E AUDIOVISUAIS

EEPSC BENEDITO CALIXTO. Projeto Pró-Memória: entrevista com Francisco Paniquar Filho. Itanhaém, 1989. Entrevista realizada sob coordenação de Sonia Maria de Oliveira e Luiz Pereira Góes. Documento do Acervo do Gabinete de Leitura "José Rosendo".

PANIQUAR, Iara. Informações familiares concedidas ao autor. Itanhaém, 2026.

PANIQUAR GATTO, Francisco. Informações familiares e cessão de documentos, fotografias e registros audiovisuais ao autor. Itanhaém, 2026.

PANIQUAR GATTO, Francisco (cedente). Bodas de Ouro de Francisco Paniquar Filho e Zely Jorge Paniquar: gravação em VHS. Itanhaém, 1995. Acervo particular da família Paniquar.

SANTOS, Maria Isabel Sartório. Depoimento sobre a Companhia Telefônica de Itanhaém e a operação do sistema PBX. Entrevista concedida ao autor. Itanhaém, 2026.


FONTES DOCUMENTAIS

PANIQUAR FILHO, Francisco. Certidão de reservista militar. [s.l.], 1941-1945. Acervo da família Paniquar.

PERIÓDICOS

AUMENTA o quadro associativo do Aero Clube de Santos. A Tribuna, Santos, 27 set. 1950.

ANÚNCIO da Companhia Telefônica de Itanhaém (CTI). O Diário, Santos, 15 abr. 1965.

CAMPEONATO de xadrez da S.V.E. São Paulo. O Diário, Santos, 1 jun. 1960.

DESPERTA interesse o torneio oficial de xadrez do município. A Tribuna, Santos, 11 set. 1959.

ELEITOS os primeiros membros da diretoria do Aero Clube local. A Tribuna, Santos, 8 ago. 1959.

ENLACE Jorge-Paniquar. O Diário, Santos, 22 dez. 1945.

INAUGURADO o órgão da Igreja Matriz de Santana. A Tribuna, Santos, 4 mar. 1959.

NOVAS diretorias – E.C. São Paulo. A Tribuna, Santos, 18 out. 1950.

OBITUÁRIO de Francisco Paniquar. A Tribuna, Santos, 21 maio 1954.

O PP-HCD do Aero Clube de Itanhaém. Correio da Tarde, São Paulo, 1964.

PESCADORES de Itanhaém capturaram leão-marinho. Cidade de Santos, Santos, 16 jul. 1971.

SOLENIDADES durante a inauguração das novas dependências da Casa Paroquial. A Tribuna, Santos, 30 maio 1959.

III CAMPEONATO Oficial de Xadrez de Itanhaém. A Tribuna, Santos, 8 set. 1957.

IV CAMPEONATO Oficial de Xadrez de Itanhaém. A Tribuna, Santos, 30 maio 1958.


ACERVOS ICONOGRÁFICOS

ACERVO DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO (ALESP). Posto policial de Tapiratiba. 1928.

BONACI JUNIOR, Alcides. Duartina. 1925. Fotografia. Acervo particular.

FAMÍLIA PANIQUAR. Francisco Paniquar Filho. Década de 1940. Fotografia. Acervo da família Paniquar.

FAMÍLIA PANIQUAR. Francisco Paniquar Filho. 1955. Fotografia. Acervo da família Paniquar.

FAMÍLIA PANIQUAR. Avenida Condessa de Vimieiros. 1949. Fotografia. Acervo da família Paniquar.

FAMÍLIA PANIQUAR. Francisco e Zely em reunião do Lions Clube de Itanhaém. [ca. 1966]. Fotografia. Acervo da família Paniquar.

FAMÍLIA PANIQUAR. Registro das Bodas de Ouro de Francisco e Zely Paniquar. 1995. Imagens extraídas de fita VHS. Acervo da família Paniquar.

FAMÍLIA PANIQUAR. Francisco Paniquar Gatto, Iara Paniquar, Alice e Zely Paniquar recebendo a Bandeira do Divino. 2023. Fotografia. Acervo da família Paniquar.

SANTOS, Maria Isabel Sartório. Mesa PBX da Companhia Telefônica de Itanhaém. 1970. Fotografia. Acervo pessoal.


FONTES DIGITAIS

FORÇA AÉREA BRASILEIRA. Museu Aeroespacial. O primeiro avião Paulistinha CAP-4 é entregue. Disponível em: https://www2.fab.mil.br/musal/index.php/curiosidades-historicas-item-de-menu/1229-o-primeiro-aviao-paulistinha-cap-4-e-entregue. Acesso em: 29 maio 2026.

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por Gustavo C. da Mota

 

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