top of page

Memória das Memórias de Itanhaém - por Henrique Piacsek

  • Foto do escritor: Gustavo da Mota
    Gustavo da Mota
  • 14 de jan.
  • 14 min de leitura

Praia do Sonho - Anos 1970, grupo Itanhaém Plural (Facebook)
Praia do Sonho - Anos 1970, grupo Itanhaém Plural (Facebook)

Nasci na cidade de São Paulo, no dia de São Paulo, na Pró-Matre Paulista. Não há dúvidas que minhas raízes são profundas na Pauliceia Desvairada. E como era de se esperar, estudei, cresci, me formei e trabalhei por anos em São Paulo, mas desde cedo tenho também uma profunda ligação com a cidade de Itanhaém, situada na Baixada Santista, a aproximadamente cento e dez quilômetros de São Paulo.


Meu pai adquiriu um terreno em Itanhaém no final da década de 1960. Um terreno no nascente bairro do Cibratel. Meu pai comprou o terreno diretamente de Edson Baptista de Andrade, responsável pelo loteamento e que nos anos seguintes foi prefeito da cidade. Uma figura adorada por uns e odiada por outros. Uma breve curiosidade: o nome Cibratel vem do nome da então empresa que realizava a venda dos terrenos: Companhia Brasileira de Terrenos e Loteamentos. CI(a) - BRA(sileira) - TE(rrenos) - L(oteamentos).


Foi nesse período que comecei a frequentar a cidade da pedra que canta, nome de Itanhaém em tupi-guarani. Durante muitos anos, vínhamos até Itanhaém para ver se estava tudo bem com o terreno e voltávamos no mesmo dia. Para mim e para meu irmão era a deixa para irmos à praia e curtir as ondas e a água salgada, mesmo em dias não tão convidativos para um banho de mar. Mas para as crianças não tem tempo ruim.


Sair de São Paulo e chegar em Itanhaém no início dos anos 1970 não era tão simples como é hoje. Ainda não existia a Rodovia dos Imigrantes, e na região da Baixada Santista as estradas eram de pista simples. Todo o trânsito de descida da serra era feito pela Via Anchieta, e ao chegarmos em Cubatão entrávamos na rodovia que na época chamava-se Pedro Taques, que só mudava de nome no trevo da Praia Grande, na famosa curva do “S”, e daí em diante passava a chamar-se Rodovia Manoel da Nóbrega, nome que tem até hoje, incluindo o trecho que antes era conhecido por Pedro Taques.


Esse primeiro trecho de estrada após a descida da serra, conhecido como Pedro Taques, era de pista simples e acostamento de areia. Nas margens da rodovia existiam postes de madeira levando as redes de transmissão de energia elétrica. Chegando em Praia Grande, ainda não existia o viaduto que atravessa a rodovia. Existia um trevo que cruzava a estrada para aqueles que quisessem ir para a Praia Grande. Isso causava grandes congestionamentos em épocas de férias e feriados. Também era grande o número de acidentes nessas rodovias pelo fato de serem de pista simples. Várias vidas se perderam em colisões frontais. De Praia Grande para frente, a pista continuava simples, mas com acostamento asfaltado.


No início dos anos 1970 meu pai tinha um DKW, um carro histórico com motor de dois tempos. Em uma de nossas vindas para Itanhaém, o motor do DKW fundiu no trecho entre Praia Grande e Mongaguá. Lembro-me de algumas cenas desse episódio. Sorte que meu pai era sócio do Touring Club e um guincho veio nos resgatar depois de horas. Lembro-me também que nessas estradas havia uma infinidade de barracas vendendo enormes cachos de banana e muitos vendedores de caranguejo.


Depois do DKW, vieram os Opalas. Sim, no plural. Um do meu pai e o outro do meu avô, que fazia questão de que viéssemos no seu opalão de banco inteiriço na frente e câmbio de três marchas na coluna da direção - Opalão que posteriormente herdei quando completei dezoito anos.


Sabíamos que estávamos chegando quando avistávamos no horizonte a torre da igreja do Suarão. A impressão que tenho hoje é que conseguíamos ver a torre da igreja a uma distância muito maior daquela de hoje em dia quando estamos chegando. Não sei se isso é em função do fato de que éramos criança, que depois que cresce, acha que tudo encolheu, ou por hoje termos uma quantidade muito maior de construções e prédios ao longo da estrada e a torre da igreja se perder nessa paisagem.


Chegávamos em Itanhaém pelo trevo da entrada principal, que era a entrada que existe logo após o posto da Polícia Rodoviária que já existia naquela época.


A cidade tinha poucas ruas calçadas, e as que eram calçadas eram calçadas exclusivamente com as lajotas de concreto que ainda hoje predominam na maior parte da cidade. Asfalto? Zero. O calçamento que saía do centro da cidade em direção ao bairro do Suarão pela Avenida Rui Barbosa acabava em frente de onde hoje é o Fórum.


Nessa época, a cidade teve destaque na televisão, pois foram nas praias de Itanhaém que foi gravada a primeira versão da novela Mulheres de Areia.


Para chegarmos no bairro do Cibratel, tínhamos que atravessar a ponte antiga sobre o Rio Itanhaém. Era uma ponte que só dava passagem para um carro por vez, ao estilo da ponte pênsil de São Vicente. Era necessário um controlador de tráfego.


Passávamos pela Praia do Sonho, que tinha sua rua bem mais larga. A rua foi estreitada no projeto de reurbanização do início dos anos 2000, quando alargaram a calçada junto à mureta da praia e diminuíram o leito carroçável da via.


Falando em Praia do Sonho, lembro que existe em algum lugar na casa de meu pai uma foto onde estou junto com meu irmão brincando nessa praia e ao fundo via-se a construção do edifício Quebra-Mar.


Logo depois chegávamos no Cibratel, onde conferíamos se o terreno estava em ordem, e logo íamos para a praia. A única coisa chata de que eu lembro na época era na hora de irmos embora. Eu e meu irmão tínhamos que tomar um banho com a água de um garrafão ao lado do carro. Mas era um preço baixo em vista da diversão que tínhamos na praia.


E assim transcorreram os anos 1970. Quando chegou a década de 1980, as coisas ficaram bem melhores. Meu pai finalmente decidiu construir uma casa no terreno. A construção teve início em 1981 e terminou em 1982. Ou seja, agora em 2022 [ano da publicação original], completamos quarenta anos de casa em Itanhaém.


Desde então, não vínhamos mais só por um dia. Passamos a aproveitar as temporadas de verão, feriados e férias na casa da praia. A partir daí, meu relacionamento com a cidade foi se tornando mais intenso. A década de 1980 foi uma década mágica para quem estava saindo da adolescência e entrando na idade adulta. Uma década de transformações políticas, de muita música boa e de uma inocência que não existe mais. Quem tem hoje mais de cinquenta anos sabe do que estou falando.


A partir de agora eu gostaria de relembrar lugares, fatos e personagens que marcaram para mim este período em Itanhaém.


Vou começar pelo estômago. Vamos lembrar de alguns restaurantes e afins que existiam e brilharam naquela época. Quando vínhamos para Itanhaém, mesmo ainda nos anos 1970, almoçávamos no Restaurante Caçula ou no Restaurante e Lanchonete Roda Viva. O Restaurante Caçula ficava onde hoje localizam-se as atuais instalações da Receita Federal na Praça Narciso de Andrade, ao lado da Igreja Matriz. No lado oposto da praça situava-se o Roda Viva, restaurante de propriedade do falecido Sr. Rocha, pai da minha amiga Cláudia e por consequência, sogro do Vinício, meu melhor amigo. Na praça, também existia o Restaurante Uirapuru, ao lado do Roda Viva. Ainda na praça, existia uma padaria e um açougue.


E já que falei desse lado da praça, na esquina com a Rua Cunha Moreira tínhamos a Drogaria Central, que obviamente não é um restaurante, mas que me traz uma memória interessante por ser um dos raros lugares onde existia um sistema de ar condicionado que era muito potente e trazia um pouco de alívio para quem entrasse lá naqueles dias absurdamente quentes e úmidos.


Mas voltando ao menu, na Avenida Rui Barbosa, quase em frente ao antigo Banespa, hoje Santander, existia o Restaurante O Pioneiro, que tinha uma pizza muito boa. Hoje no local existe uma grande loja de roupas.


Na Rua Cunha Moreira, encontrávamos o barzinho Barra Vento e a pizzaria Veneza. Lugares muito tradicionais e sempre lotados. Principalmente em épocas de feriados e especialmente no Carnaval. Aproveitando que estamos nessa rua, cabe lembrar que onde hoje temos a Biblioteca Municipal Poeta Paulo Bomfim, tínhamos a sede da Prefeitura, que saiu de lá nos anos 1990 para ir onde hoje se encontra, o espaço que na época era uma colônia de férias do falecido Banco BCN.


Indo para a Praia do Sonho, tínhamos como destaque o restaurante Robalo, que ficava no final da avenida da praia, bem na curva onde hoje existe um prédio abandonado que já foi danceteria.


Andando mais um pouquinho, chegando no bairro do Cibratel, encontrávamos o Bar e Lanchonete Mini Golf. Era um lugar que tinha uma pista de mini golf e que nas noites quentes de verão juntava uma multidão dentro e fora de suas pequenas instalações. Era o point principal da turma do surfe.


Chegando na praia do Cibratel, tínhamos, a partir de um determinado ponto, a praia liberada para o trânsito de veículos. Podia-se ir até Peruíbe pela praia, de carro - aventura que fiz uma vez com o já mencionado opalão.


Pela praia, chegávamos ao Bar do Gustavo, local que lotava na temporada, e um pouco mais para frente chegávamos no Bar do Maneco, um ícone de Itanhaém durante décadas. Muitos frutos do mar, carnes, porções e bebidas de primeira qualidade, que eram elaboradas sob a rígida supervisão do Sr. Manoel, o famoso Maneco. O Sr. Manoel nos deixou recentemente. Tenho grande respeito por ele. Tínhamos uma amizade que deixa saudade.


Logo surgiu no bairro da Praia do Sonho, mais precisamente na rua Peruíbe, a pizzaria Bella Napoli. Situada em um galpão que já tinha sido rinque de patinação e um sambão, e que hoje é uma igreja. Era a melhor pizza da época, e o salão ficava sempre lotado, mesmo sendo um local bem amplo.


Voltando para o centro da cidade, ainda podíamos tomar um sorvete na Sorveteria Bariloche, que ficava onde hoje é o restaurante Empório Caipira. Também tínhamos a sorveteria Kapilé, que ficava na rua da desativada estação ferroviária, ao lado do comércio mais tradicional de Itanhaém até os dias de hoje, a famosa loja da Bananada de Itanhaém, que está no mesmo lugar há muitas décadas. Também tínhamos na praça a Sorveteria Itanhaém, que há poucos dias soube que também encerrou suas atividades.


Diversão não faltava. Nessa época, você poderia assistir a um filme no Cine Castro, na rua João Mariano. O cinema ficava onde hoje está o Supermercado Saito, que ficava no lado oposto da rua e é considerado o mercado mais tradicional da cidade, estando em atividade há muitas décadas e onde eu adorava comprar sonhos. Existiam também os fliperamas, o avô dos vídeo games.


E quem se lembra onde era a rodoviária de Itanhaém nessa época? Rodoviária é modo de dizer. Tínhamos ao lado do que hoje é a agência dos Correios uma agência da Viação Breda, a única que fazia a linha de São Paulo para o litoral sul. E dessa mesma rua partiam e chegavam os ônibus. Por inúmeras vezes embarquei e desembarquei nesse local. Depois se criou uma rodoviária na esquina da Av. Rui Barbosa com a rua Jácome Fajardo, onde hoje não existe mais a rua - tudo virou Hospital Regional. Isso porque, no início dos anos 2000, a rodoviária foi transferida para a região da CESP em uma instalação que fora a maior concessionária da Volkswagen do Brasil e posteriormente o Centro do Produtor Rural de Itanhaém.


Praia do Sonho, anos 1980, Av. Vicente de Carvalho com Roberto Iwashiki Uragushi - por André Caldas
Praia do Sonho, anos 1980, Av. Vicente de Carvalho com Roberto Iwashiki Uragushi - por André Caldas

No início dos anos 1980, também não existia o calçadão da Praça Narciso de Andrade. A Av. Rui Barbosa cortava o que hoje é o calçadão. E em frente à Igreja Matriz também havia uma via transitável e que por muito tempo foi o ponto final do tradicional bondinho de Itanhaém. A estátua do Padre José de Anchieta ficava nesse local, ou seja, um pouco mais para frente de onde se encontra hoje. E próximo da Casa de Câmara e Cadeia existia uma fonte luminosa, que com o tempo deixou de ser luminosa e de ser fonte também. Em seu auge, vi muita gente sendo jogada na fonte a título de farra.


Em relação ao comércio de Itanhaém, eu lembro de alguns que ainda existem e de outros que ficaram na memória. Já me referi ao supermercado Saito que até hoje é referência na cidade. Mas tivemos também outros que marcaram a época. O Supermercado Peralta, que ficava onde hoje é o supermercado Extra, ao lado do Fórum. O supermercado do Ferreira, que ficava onde hoje tem uma loja ao estilo das antigas lojas de R$ 1,99 na rua João Batista Leal. No bairro do Belas Artes lembro-me do supermercado Zuera na pracinha do bairro. Nesse bairro também encontrávamos a farmácia do Sr. Orlando que recentemente também nos deixou. Tínhamos a padaria Saveiro e a Casa Tambuque.


Se você quisesse comprar frutas, verduras e peixes, o Mercado Municipal também era uma alternativa. Ficava onde hoje é o Banco de Alimentos da Prefeitura no Jardim Mosteiro,

Alguns outros comércios também eram tradicionais, como a fábrica de tamancos e a inesquecível loja La Barre, o paraíso dos surfistas. Uma grife exclusiva de Itanhaém. Todo mundo queria uma prancha e os acessórios e roupas da La Barre. Ficava na rua Peruíbe, na Praia do Sonho.


Também tinha, e ainda tem, o principal posto de gasolina de Itanhaém que fica na rua da entrada da cidade com a av. Rui Barbosa, o Posto Ipiranga da família do amigo Basílio. Posto tradicional, que há muitas décadas vem servindo os motoristas da cidade.


Outro comércio tradicional era as lojas Movelândia e Cestolândia no caminho da Praia do Sonho. Era parada obrigatória para quem quisesse comprar artefatos de vime, móveis e lembranças de Itanhaém.


Algumas curiosidades também me vêm à mente. Lembro-me que na tradicional ladeira no centro da cidade existiam algumas casas muito antigas e que posteriormente foram demolidas. Ficavam onde hoje tem um escadão com um palco redondo na parte baixa. Uma dessas casas diziam pertencer à pseudocelebridade Gretchen. Até hoje não sei se é verdade. Será?


Outra curiosidade da época era a dificuldade em se telefonar para as pessoas, principalmente para fora da cidade. Época dos orelhões, onde era possível fazer uma chamada a cobrar via telefonista. Depois vieram os orelhões azuis, que faziam ligações interurbanas, mas as fichas de interurbano, que eram caras, iam caindo numa velocidade assustadora. A solução muitas vezes era ir telefonar no prédio da Telesp, antiga companhia telefônica de São Paulo. O prédio está lá na Praça Benedito Calixto até hoje, mas desativado para o público. Em épocas de férias e feriados, formava-se uma fila quilométrica para poder fazer uma ligação. A fila começava do lado de fora do prédio e depois continuava lá dentro. O único consolo era que dentro da agência existia o segundo melhor sistema de ar condicionado de Itanhaém, só perdendo para a já comentada Drogaria Central.


Era uma mão de obra danada fazer a tal ligação. Dependia da telefonista, e depois tinha que voltar na fila para pagar a ligação que não era nada barata. Hoje, a maioria das pessoas não se dá conta da praticidade de um telefone celular com o qual ligamos para quem quisermos, em qualquer lugar do mundo, a qualquer momento. Só quem já passou por essas situações consegue dar o devido valor a essa tecnologia.


Quem nascia em Itanhaém nascia, quando não em casa, na maternidade de Itanhaém, que ficava no prédio que hoje abriga as Especialidades Médicas e que um dia também foi Pronto Socorro. Fica atrás do Fórum, na rua lateral onde hoje se localiza o supermercado Extra.


E por falar em gente, tínhamos figuras tradicionais na cidade. O famoso Sabiá já reinava em Itanhaém nos anos 1980. Ele dava um show na praça com uma bola de futebol mais ou menos murcha. Fazia umas embaixadas com a bola e depois a equilibrava na nuca e saia andando pela praça com a bola de carona. Assim como hoje, raramente falava com alguém e nunca perturbava quem quer que fosse. Hoje ele não faz mais isso, mas é onipresente na cidade. Onde você for terá uma grande chance de encontrá-lo com sua bicicleta cheia de sacolas.


E quem se lembra do Miguel, que na época era chamado também de Miguel Louco? Ele adorava vestir qualquer coisa que se parecesse com uma farda e ficava furioso quando alguém cantava parabéns pra você. Sabendo disso, a garotada não perdoava e se aproximava dele cantando, só para provocá-lo e depois sair correndo, pois ele desembestava atrás deles.


Mas a missão dele era guardar a praça. Não deixava ninguém atravessar a praça montado na bicicleta e vigiava todo o movimento. Me lembra um pouco um personagem do filme Cinema Paradiso onde existia um personagem que também cismava que a praça era dele. La piazza è mia!


Lembro também de outras figuras que eram presentes no bairro do Cibratel. Tinha dois irmãos, já de uma certa idade, que sempre passavam vendendo queijadinhas. Andavam com o cesto de vime cheio de queijadinhas e um banquinho a tiracolo para apoiar o cesto na hora da venda.


Tinha também um cidadão que passava na praia do Cibratel de bicicleta vendendo limonada, que ficava em um tambor de alumínio na traseira da bike. Ele passava e gritava “Ó o limããããoo”. Assim mesmo, estendia a palavra que acabava se tornando um som daquela paisagem.


Itanhaém mudou muito. Naquela época tínhamos a FEBANITA, o famoso Festival da Banana de Itanhaém, banana que era tão plantada na área rural do município. Também tínhamos as memoráveis festas juninas no Campão. Eram festas juninas com cara de festa junina.


E quem vai esquecer as famosas “boatinhas” do Clube Náutico e as festas e shows no Iate Clube?


No Centro, funcionou por muito tempo um parquinho de diversões na av. Rui Barbosa. Indo para o bairro do Suarão, existia o Bar Castrinho, que tinha um toque intelectual com seus quadros que podiam ser comprados pelos clientes. E diversão também se encontrava no Grêmio dos funcionários da CESP, empresa que existiu por tanto tempo e que deu nome ao local onde hoje se situa o trevo que dá acesso à rodoviária. A empresa ficava onde hoje se encontram as instalações do Batalhão da Polícia Militar e também onde existe uma faculdade. Outro lugar muito falado, mas que pouca gente dizia conhecer de verdade era a Toca do Gordo. Mas isso, é melhor nem comentar...


Época em que ainda passava o trem que ia lá para os lados do Vale do Ribeira levando seus passageiros. Ia de manhã e voltava à tarde. Tinha também os trens de carga, que passavam de madrugada levando e trazendo enxofre sabe-se lá para onde.


O tempo foi passando, e na década de 1990 me lembro de lugares como o barzinho Route 66, do Calabresão no final da ladeira no Centro e dos lanches no trailer do Lá No Fê.


A cidade foi crescendo e minha conexão com ela só aumentou. Morei em Itanhaém pela primeira vez no ano de 1990, quando lecionei na Escola Bernardino de Souza Pereira e na mais tradicional escola da cidade, a E.E. Benedito Calixto.


Voltei para São Paulo em 1991, mas mais uma vez vim morar aqui. Essa segunda vez foi em 1999, quando participei da administração de um restaurante que um amigo montou na cidade.


Voltei novamente para São Paulo no final de 1999, e depois voltei para ficar de vez em 2002. E aqui estou até então. Tive a oportunidade, nesses últimos vinte anos, de ser um dos pioneiros do ensino superior na cidade, lecionando e coordenando o curso de Administração da Faculdade de Itanhaém de 2003 até 2020. Também trabalhei como assessor do Secretário de Administração no ano de 2005 e 2006, fui o responsável pelo posto do SEBRAE da cidade que ficava nas atuais instalações da ACAI, a Associação Comercial e Agrícola de Itanhaém. Nesse meio tempo, em 2010, passei no concurso da ETEC de Mongaguá, onde leciono até hoje. Passei também no concurso da Prefeitura de Itanhaém onde leciono na rede municipal e também leciono na mais tradicional escola de Itanhaém, o Colégio Evolução Objetivo.


Sei que minhas lembranças sobre Itanhaém são ainda muito pobres em relação às de quem nasceu, cresceu e vive na cidade. Mas ainda assim quis fazer esse relato, pois eu, como professor nas áreas de administração e geografia, sinto falta de registros que contem um pouco sobre a história da cidade. Talvez daqui a muitos anos essas palavras poderão ajudar as pessoas a conhecerem um pouquinho mais sobre a história de Itanhaém.


Me sinto como um paulistano caiçara. Aqui estão hoje minha esposa, meus amigos, meu trabalho, enfim, minha vida. Acho que já conquistei o Green Card de Itanhaém.

E assim vamos tocando em frente. Espero poder escrever a continuação dessas memórias daqui a muitos anos. Enquanto isso, vamos ouvindo a pedra cantar e viver da melhor forma possível.


O autor, Henrique Luis Piacsek e seu pai, Emilio Henrique Piacsek, em 2023.
O autor, Henrique Luis Piacsek e seu pai, Emilio Henrique Piacsek, em 2023.

Conheça mais sobre a família do autor: https://piacsek-brasil.blogspot.com

Comentários


 

© 2026 HISTORITA — História de Itanhaém 

por Gustavo C. da Mota

 

bottom of page