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Festa do Divino Espírito Santo de Itanhaém

  • Foto do escritor: Gustavo da Mota
    Gustavo da Mota
  • há 6 horas
  • 2 min de leitura

Atualizado: há 2 horas


A Festa do Divino Espírito Santo de Itanhaém constitui uma das manifestações religiosas e culturais mais antigas e estruturantes do município, integrando o calendário festivo local desde o período colonial. De origem portuguesa, vinculada à devoção ao Espírito Santo e à tradição das confrarias leigas, a celebração consolidou-se em Itanhaém como um complexo ritual que articula religiosidade, sociabilidade comunitária e memória histórica.


Introduzida no Brasil ainda no século XVI, a devoção ao Divino Espírito Santo encontrou em Itanhaém um terreno particularmente favorável, dada a centralidade religiosa da vila e sua precoce organização institucional. Ao longo dos séculos, a festa manteve traços fundamentais da tradição luso-brasileira, adaptando-se às condições locais sem romper com seus elementos simbólicos essenciais, como a coroa, o cetro, a bandeira vermelha e a ideia de partilha e abundância associada ao Espírito Santo.


Do ponto de vista ritual, a Festa do Divino em Itanhaém estrutura-se em um ciclo que envolve preparativos prévios, novenas, procissões e celebrações públicas. A figura do “imperador” ou dos festeiros, escolhidos anualmente, assume papel central na organização dos eventos, na guarda dos símbolos sagrados e na mobilização da comunidade. Esse sistema de rodízio e responsabilidade coletiva reforça o caráter participativo da festa, distinguindo-a de celebrações estritamente clericais.


A bandeira do Divino, levada em visita às casas, comércios e instituições, constitui um dos momentos mais significativos do ciclo festivo. Esse percurso ritual estabelece uma circulação simbólica do sagrado pelo espaço urbano, reafirmando vínculos sociais e promovendo a arrecadação de donativos destinados à realização da festa e a ações assistenciais. A prática remete à concepção tradicional do Divino como princípio de justiça, igualdade e proteção coletiva.


A dimensão pública da celebração manifesta-se de forma intensa nas procissões, missas solenes e eventos paralelos, que historicamente incluíram distribuição de alimentos, apresentações musicais e encontros comunitários. Embora a forma dessas atividades tenha variado ao longo do tempo, a ideia de confraternização e de suspensão temporária das hierarquias sociais permanece como um dos núcleos simbólicos da Festa do Divino, em consonância com a tradição ibérica medieval que lhe deu origem.


Sob o aspecto histórico-cultural, a Festa do Divino Espírito Santo de Itanhaém desempenha papel relevante na preservação da identidade local. Sua continuidade, mesmo diante de mudanças urbanas, políticas e econômicas, evidencia a capacidade de adaptação das tradições populares e religiosas, bem como a força das instituições informais — irmandades, comissões e famílias — responsáveis por sua transmissão intergeracional.


No contexto contemporâneo, a festa é reconhecida não apenas como manifestação de fé, mas também como patrimônio cultural imaterial do município, mobilizando ações de registro, valorização e salvaguarda. A articulação entre poder público, Igreja e comunidade tem sido fundamental para garantir a permanência do evento, equilibrando devoção, organização logística e respeito ao seu sentido histórico.


Assim, a Festa do Divino Espírito Santo de Itanhaém configura-se como um fenômeno cultural de longa duração, no qual religiosidade, tradição e vida social se entrelaçam. Mais do que um evento anual, trata-se de um mecanismo de atualização da memória coletiva, por meio do qual a cidade reafirma sua formação histórica, suas práticas simbólicas e sua continuidade cultural ao longo dos séculos.

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por Gustavo C. da Mota

 

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